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Vida de um Cinéfilo

Gosto de filmes, e vou falar deles, e muito ...

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Vida de um Cinéfilo

25
Mai17

40 Anos de Star Wars


Francisco Quintas

     Hoje, 25 de maio de 2017, Star Wars faz 40 anos! O filme apenas chegou a Portugal dia 6 de dezembro do mesmo ano e ao Brasil no dia 30 de janeiro de 1978. É óbvio que falamos de um mercado muito menos evoluído, o mercado de cinema dos anos 70. Não havia antecipação como há hoje, mas, mesmo que houvesse, os filmes estreavam no seu país de origem e demoravam meses a chegar a Portugal. Claro que ninguém antecipava que Star Wars se tornaria num divisor de águas do cinema. Historiadores de cinema comentam desde sempre que existe cinema “antes” e “depois” de Star Wars.

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     Muitos apreciadores de cinema ou simples espectadores casuais atualmente, gostando ou não da franchise, pode não saber, mas Star Wars foi o responsável por catapultar para sempre o género do Blockbusters. Tudo o que é filme da Marvel ou da DC Comics deve muito a Star Wars. Não necessariamente pelo tema, visto que todos os Blockbusters que aparecem hoje têm uma base óbvia. Todo o Universo Marvel tem todos os personagens que pode adaptar.

     Star Wars é diferente, a tão conhecida fórmula narrativa do protagonista improvável, porém corajoso que lentamente mudará a sua personalidade durante o processo de entrar numa missão de luta do Bem contra o Mal onde nunca se imaginava ganhou impacto aqui. George Lucas fez História!

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     Esta estrutura está mais que usada nos dias de hoje. Há também que perceber a razão do impacto absurdo que o filme teve. O filme foi importante no que dizia respeito a apresentar uma nova forma de fazer cinema, em métodos revolucionários de construir espaço e personagens de maneira a envolver o público. Em 1975 a Guerra do Vietnam acabou e depois de quase 2 décadas de Hollywood a produzir filmes mais realistas, ambíguos e adaptáveis à realidade em que se vivia naquela altura do século, era altura de ver o cinema novamente, mas ao mesmo tempo, como uma forma de entretenimento. Os heróis bonzinhos voltaram a aparecer e novos surgiram, (Luke Skywalker, Rocky e Indiana Jones).

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     Mas claro que Star Wars é muito mais que um filme de ação “pipoca” exclusivo para entreter o público. Os anos 70 retrataram tudo no cinema menos leveza. Filmes como The Godfather, Mean Streets, The Conversation, Taxi Driver, The Deer Hunter e Apocalypse Now eram o melhor retrato dos períodos de medo e paranoia vividos nas décadas anteriores. Devido a inúmeros factos como a guerra, assassinatos de figuras americanas e medo da tecnologia. Um pouco antes, em 1968, 2001: A Space Odyssey apavorou o mundo. Ao apresentar Hal 9000, Stanley Kubrick provou que, com o inevitável avanço da tecnologia, era possível que a raça humana fosse ameaçada de uma maneira que nunca pensou. Óbvio que 2001 é muito mais que isso, mas a essência foi contada e o objetivo claro de Kubrick em aterrorizar as pessoas para sempre foi cumprido.

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     Star Wars, estranho ou não, (para mim, claríssimo como à agua) também aborda temas semelhantes, mas de uma maneira mais divertida e pacífica. A Força é algo que requere fé, é algo que, para aqueles que sabem lidar com ela, está presente em tudo e em todos. Os Rebeldes e o Império Galáctico são polos opostos, representativos do Bem e do Mal respetivamente. O Obi-Wan ensina o Luke a confiar na Força ao invés da tecnologia. No outro lado, está um exército comandado por alguém que é mais máquina que homem e que toda a fé é posta nos recursos tecnológicos, mais especificamente na Death Star. Este apego à tecnologia leva ao caos, à destruição e à guerra. Enquanto o Luke vive em harmonia com o ambiente natural, consegue encontrar paz e vitória mais facilmente. O Império representa uma das mais perigosas ideologias do Mundo, o fascismo.

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     Todos os generais do Império usam roupas representativas dos níveis de hierarquia. As cores utilizadas estão ali por propósitos óbvios – para diferenciar o Bem do Mal: nos confrontos de Sabres de Luz, estão sempre duas cores, o Darth Vader tem um fato completamente preto, o Luke e a Leia usam branco, o Han Solo usa os dois porque é um “malandro” e os Stormtroopers usam um fato branco, mas onde são bem visíveis espaços em preto, o que sugere os reais objetivos do Império debaixo de toda aquela propaganda sobre segurança e paz que oferecem. E claro, “Stormtroopers” era o nome que Hitler dava aos seus soldados e “Vater” quer dizer “Pai” em alemão. Coincidência? Provavelmente não …

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   Star Wars foi e ainda é um dos maiores movimentos comerciais de sempre e iniciou uma nova forma de monetização. O filme resultou em sequelas, prequelas, jogos, t-shirts, brinquedos, canecas e posters, coisa que até hoje se mantém.

     Contudo, como toda a gente sabe, o filme não é perfeito. Há algumas coisinhas quase insignificantes que, mesmo não comprometendo o filme inteiro, estão lá. A lentidão da luta do Obi-Wan com o Darth Vader teve sempre um propósito, mas não acho que precisasse de ser assim tão lenta. Para não falar de algumas pequenas frases soltas que podiam perfeitamente ser retiradas. Mas tudo bem, nada de muito grave. Por isso, a minha nota final seria provavelmente um A-.

     Star Wars é um marco do cinema americano, mudou para sempre o cinema em montes de aspetos e merece ser visto por toda a gente para sempre. A série vai continuar o que para alguns pode ser uma má notícia. Depois do Episódio 7, The Force Awakens, que apresentou personagens novos para uma nova geração, sem se esquecer dos clássicos, e de Rogue One, o Episódio 8, Star Wars Episode VIII: The Last Jedi, e o spin-off de Han Solo, ainda sem título, vão mesmo acontecer. Mas de qualquer maneira, bons ou maus, nunca mancharão a imagem que os fãs têm do original que é absolutamente perfeito e que, depois de décadas, não vai ser esquecido.

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