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Vida de um Cinéfilo

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American Made (Barry Seal: Traficante Americano, 2017) - Crítica

     O filme conta a história real de Barry Seal, um piloto comercial que, em 1978 começou a trabalhar para a CIA e, no futuro, para Pablo Escobar, numa relação de trocas de armas e droga.

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     O filme foi realizado pelo Doug Liman, responsável pelo ótimo Edge of Tomorrow, de 2014, e pelo apenas “ok” The Wall, deste ano. Perdoem-me, nunca vi nada do Jason Bourne. Algo que este consegue fazer facilmente aqui é injetar o mínimo de interesse numa história pouco conhecida e, escusado será dizer, pouco interessante, apesar de escandalosa e alarmante. American Made é um daqueles filmes esquecíveis e sem muita substância, mas com estilo e energia suficiente para superar os seus problemas narrativos e técnicos. A começar pela exposição. Há um sério problema sobre o fornecimento de informação nos guiões de Hollywood. Atualmente parece que é impossível escrever um guião para uma história biográfica sem apelar à secante e repetitiva lista de cassetes, entrevistas ou narrações intermináveis, somente para fornecer sem qualquer incómodo os inúmeros flashbacks. Isso elimina qualquer sensação de surpresa. Estamos a ver uma gravação do protagonista, logo sabemos que este não irá estar numa situação de risco de morte. Aliás, se estiver, sabemos que se vai safar. Bastava o público apenas saber as datas.

     Quanto ao trabalho de câmara, o Doug Liman faz novamente um trabalho competente, mas nota-se uma ambição (que possivelmente terá sido intervenção do estúdio) em adotar o estilo de um documentário. Há alguns zooms extremamente bruscos usados durante diálogos casuais que certamente não casam nada bem com o restante estilo de biopic usual americana. Assim como um uso excessivo de câmara tremida nas cenas de perseguição ou de maior tensão durante as pilotagens ou as interações com o Pablo Escobar.

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     Por falar nisso, há um problema sério que envolve o Pablo Escobar. O tão conhecido criminoso é reduzido a um mero personagem secundário que nada mais parece do que o braço direito do mexicano com quem o Tom Cruise mais convive na realidade. Se não me dissessem nada, eu nunca chegaria à conclusão de que aquele gigante que estava sempre no cantinho calado era o Pablo Escobar.

     Aliás, no que diz respeito aos personagens restantes, o filme apresenta outros problemas. A começar pela Sarah Wright que não tem absolutamente nada para fazer. A sua única função é existir e chatear o Tom Cruise quando lhe é pedido. Não sabemos nada sobre a personagem e a atriz não faz sequer questão em gerar interesse nela. O Jesse Plemons está no filme durante uns 5 segundos. Achei até uma falta de respeito para com o seu talento. Até agora ainda não percebi porque é que ele está aqui.

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     Por sorte, temos como protagonista um dos atores vivos mais carismáticos. O Tom Cruise agarra o potencial da trama e faz aquilo que quer dentro do que pode. Como seria de esperar, a sua personagem é a mais favorecida e não existem dúvidas quanto ao seu desenvolvimento (origem, receios, motivações, talentos, etc.). O ator não está a tentar fazer nada de novo, é um retrato bem simples, mas é funcional. O foco dele foi apenas divertir-se provavelmente e, claro, receber o seu cachê.

     O Domhnall Gleeson está igualmente competente dentro daquilo que o seu personagem oferece. Ele tem camadas, carisma e acerta no ritmo no que diz respeito às suas interações com o Tom Cruise, ou seja, aparece e desaparece quando é necessário com o mínimo de fluidez.

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     A fotografia do uruguaio César Charlone é impecável. O destaque maioritariamente esteve na atmosfera tropical e suja da América Latina, revelando fortemente as cores que insinuam perigo e calor. A banda sonora do Christophe Beck é totalmente descartável e esquecível. Nunca se notou alguma diferença que a música podia fazer numa cena.

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     American Made é um filme muito problemático narrativamente, esquecível e sem muita originalidade, mas graças ao carisma e humor do Tom Cruise e à agilidade da realização do Doug Liman, é possível que, durante quase 2 horas, se passe minimamente bem, sem deixar ausente alguns momentos de sono.

 

Nota: B-

 

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