Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Vida de um Cinéfilo

Gosto de filmes, e vou falar deles, e muito ...

Gosto de filmes, e vou falar deles, e muito ...

Vida de um Cinéfilo

15
Ago17

Baby Driver (Alta Velocidade, 2017) - Crítica


Francisco Quintas

     Era uma crítica ou de Baby Driver ou de The Emoji Movie. A animação não é ofensivamente má como já disseram, mas boa ela não é. É tão má a um ponto de me fazer perder a vontade de escrever para este blog. Verdade seja dita, a história não é interessante, é previsível. É um rip-off de Zootopia com Inside Out, com um bocadinho de Shrek, só que contado da maneira mais convencional e genérica imaginária. Não percam o vosso tempo.

     Baby, um motorista debilitado de um gang aceita fazer mais um trabalho com a intenção de sair daquela vida suja de vez. Circunstâncias inesperadas fazem com que o seu percurso se torne muito mais difícil.

1.jpg

     Como podem ver, o enredo não é nada de especial, já todos vimos histórias semelhantes a esta. Mas porque será que Baby Driver foi tão bem recebido pelo público e pela crítica no geral? O filme foi escrito e realizado pelo Edgar Wright. Nunca vi nenhum filme dele, sou sincero. Ouvi falar de filmes como Scott Pilgrim vs. the World e a trilogia Three Flavours Cornetto, com o Simon Pegg. Acho que esta foi a maior surpresa que já tive este ano. O Edgar Wright é um realizador com um estilo espetacular, tanto no visual como na execução da sua história. Definitivamente vou ficar de olho nele. Ele vende-se sobretudo por apresentar um estilo quase oposto aos géneros de ação e máfia. Lembra muito Pulp Fiction, um filme de crime com plots familiares interessado mais em mostrar aquilo que outros filmes do género nunca mostram.

     Algo muito inteligente foi o tratamento e o desenvolvimento dos personagens pelo qual o realizador optou. Ao invés de mostrar os assaltos, incluindo os detalhes do próprio ato assim como as consequências e danos colaterais do mesmo, ele opta por mostrar o que o personagem Baby observa enquanto espera pelos gangsters e as interações que o próprio grupo tem quando acaba um assalto. Mostrá-lo a escolher a música antes de conduzir e a ir buscar café ao Starbucks, para além de agradavelmente mundano, é divertido. Isso deve-se à personalidade bem disposta do protagonista e aos sensacionais e regulares planos sequência. O filme usa bastantes e são praticamente todos ótimos.

284328.jpg-c_640_320_x-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg

     Falar dos planos leva-nos às cenas de ação … uau! Elas são bastante coesas e nem por um momento me questionei sobre a lógica que estava envolvida, Baby Driver não é um Fast and Furious disfarçado. Mas quando já disseram que este é um dos filmes mais fixes do ano, não foi exagero, o filme é muito enérgico, rápido, calculista e, por vezes, inesperadamente violento. Acrescentem uma edição frenética e coesa, carros lindos e explosões à equação e temos aqui o melhor filme de ação do ano até agora.

     A fotografia lembra aquela tela cheia de cores típica de um filme da Marvel, ainda assim minimalista. Porém, algo que precisa de ser realçado é a banda sonora. A escolha de músicas deste filme é soberba! É provavelmente uma das melhores do século XXI, empatando apenas com Guardians of the Galaxy. Procurem-na no Youtube e desfrutem!

babydriver-elevator-cast.jpg

     E o elenco não desiludiu. O Ansel Elgort ainda é um ator misterioso, mas já provou que tem talento no passado. Primeiro, devido à sua limitação física e postura dificilmente intimidada, é fácil sentir empatia por ele, queremos vê-lo a ter sucesso quase de imediato. Segundo, o personagem, mesmo muito carismático e confiante nas suas capacidades, ainda mostra muita insegurança e medo por aquilo que deseja evitar, é um desenvolvimento muito humano.

bd_online_chctr_bnr_ansel_02_v2-0.jpg

     A Lily James não é a atriz mais interessante do filme nem a personagem mais convidativa, mas a sua química com o Ansel Elgort é muito boa e o romance dos dois é credível, verdadeiro e muito bonito. A vontade é vê-los juntos o mais rápido possível.

baby-driver-character-poster-2-small.jpg

     Eu tinha dúvidas sobre o Jamie Foxx, mas ele mostrou-se à altura e criou um personagem muito engraçado e imprevisível. Alguns vão discordar comigo, na verdade rapidamente percebemos que ele não é bom da cabeça, mas ele tem reações que eu não esperava.

baby-driver-bats-character-poster.jpg

     O Jon Hamm também foi uma surpresa. É bom ver o ator a interpretar personagens diferentes do seu histórico, ainda quando este começa a ter cada vez mais importância, sem o seu arco jamais parecer forçado.

baby-driver-buddy-character-poster.jpg

     O Kevin Spacey é outro exemplo. É um ator fenomenal e, mais uma vez, sai-se muito bem. Ele consegue desenvolver um mafioso mal-intencionado, mas com camadas inesperadas. Quem achar que sabe como ele vai reagir vai-se surpreender.

babydriver4.jpg

    Por outro lado, eu não percebi a inclusão do Jon Bernthal. Foi uma performance estranha, mais parece um figurante do que propriamente um personagem secundário. Com o seu talento, era bem capaz de interpretar um personagem digno do tom do filme, um personagem semelhante ao do Jon Hamm, por exemplo.

585958.jpg-r_1280_720-f_jpg-q_x-xxyxx.jpg

     Outra coisa que podia ser alterada foi a abordagem da Lily James ao Baby. Para mim, foi apressada e até forçada. Com um pequeno ajuste no local e na origem da conversa, o filme ficaria um pouco mais fluído.

Baby-Driver-movie-cast.jpg

     Baby Driver é aquilo que se pode querer de um filme ação! Para além de divertir, tem bons personagens, é envolvente, tenso e uma aula de como fazer um filme de ação original.

 

Nota: A-

2 comentários

Comentar post

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D