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Vida de um Cinéfilo

Gosto de filmes, e vou falar deles, e muito ...

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05
Jul17

Beauty and the Beast (A Bela e o Monstro, 2017) - Crítica


Francisco Quintas

     Eu sei que não é muito justo comparar filmes diferentes, mas The Jungle Book, de 2016, é um remake revisionista sem sombra de dúvida. Não só consegue respeitar o material fonte, como também adaptá-lo numa história melhor e desenvolver um comentário mais adulto. Será este remake o mesmo caso? Bem …

     O novo remake live-action da Disney revisita a clássica história francesa La Belle et la Bête, originalmente escrita por Gabrielle-Suzanne Barbot de Villeneuve, publicada em 1740 e adaptada na famosa animação de 1991.

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     O filme foi realizado pelo Bill Condon, que fez os bons filmes Gods and Monsters e Mr. Holmes, ambos com o Ian McKellen. Por outro lado, é também responsável por Dreamgirls e os últimos dois filmes da saga Twilight. Porém, nada disto importa, o Bill Condon teve um orçamento de 160 milhões de dólares … basicamente podia fazer o que quisesse, que a vasta produção da Disney trataria do resto. Ele não é mau realizador, mas estamos a falar de um remake da Disney como outros que já se fizeram. Este também consiste num enorme valor de produção lindamente atento a detalhes e, claro, uma criação de mundo eficiente, assim como um bom uso de CGI … quer dizer, já lá vamos.

     Vamos começar pelos aspetos técnicos. Verdade seja dita, a Disney não falha. Tanto o guarda-roupa, os penteados, a maquilhagem, os cenários e os pequenos utensílios são lindíssimos. Como já disse, há uma atenção absurda a detalhes e o universo que se cria facilmente convence como um reino dos contos de fadas aos quais estamos habituados. Agora, há muito mais que esperar de um remake de uma animação tão apreciada como A Bela e o Monstro. Dito isto, não quero fazer parecer que fiquei desiludido. O filme tem 2 horas e 10 minutos e, como era de esperar, acrescenta e retira muita coisa. Bastantes pormenores foram alterados aqui: decisões e desenvolvimento de algumas personagens, abordagens de certas cenas, assim como certos erros (embora inofensivos) da versão original. Maior parte da banda sonora original foi mantida, enquanto alguns (bons) novos temas são apresentados. Eu “perdoei” exclusões de certas músicas, mas aquela que eu não posso ignorar é a da “Human Again”, quando os objetos decidem limpar o castelo. Era a oportunidade perfeita de a Disney mostrar mais uma vez como é possível transformar uma linda sequência musical de uma animação num espetáculo visual. Provavelmente, não aconteceu devido a problemas de orçamento. Quem sabe? Falemos do elenco.

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     A Emma Watson é uma atriz linda, ninguém pode negar isso. Mas sejamos sinceros, ela não é uma grandíssima atriz, a única vez que me convenceu num papel mais maduro foi em Noah, de 2014. Fisicamente, ela foi uma escolha adequada para interpretar a Bela, só que mesmo sendo uma performance boa, é vulgar. Na minha opinião, ela é melhor cantora do que atriz, eu gostei muito da voz dela, mesmo não sendo possível ela ter superado a Paige O’Hara.

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     O Dan Stevens, por outro lado, foi uma surpresa. Ele é muito expressivo e dá uma igualmente boa performance física. Mas confesso que achei o visual do Monstro na versão animada mais tenebroso. Mea culpa, eu cresci com Beauty and the Beast, é um dos meus filmes preferidos. Tanto a versão do Henrique Feist como a cara do Monstro metiam-me medo em criança. Isto leva-nos ao seu visual nesta versão. Não é tão assustador, é verdade, parece que a Disney perdeu a coragem de assustar as crianças. Mas ainda assim, consegue respeitar o look clássico. O seu problema é o CGI, há uma considerada necessidade e falta de maquilhagem aqui, pareceu muito pouco real.

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     Mais que uma vez, o CGI é notável, ora na interação do Monstro com a Bela, ora com os lobos, ora (mais no princípio) com os objetos vivos. Vá lá, Disney, és capaz …

     O Kevin Kline é um ótimo ator e está bem como Maurice. Agora, para mim, aquele não é o Maurice. Ele está mais lúcido e controlado, o que, por outro lado, serve a história. Mas faltou-me um lado mais pateta, mais desastrado.

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     O Luke Evans foi a escolha perfeita para o Gaston! Ele é egocêntrico, narcisista, arrogante, cruel (óbvio), mas, ao mesmo tempo, carismático. Era exatamente esse o objetivo. Muito bem, Luke Evans! Pena é não teres o cabelo no peito necessário para o Gaston.

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     O Josh Gad está muito engraçado como o LeFou! O LeFou sempre foi gay, isso é inegável, mas desta vez a Disney assumiu isso e finalmente respondeu aos fãs honestamente. Para além da sua enorme obsessão pelo Gaston, há ainda um desenvolvimento surpreendente, assim como um novo rumo para o personagem. Funcionou.

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     Eu adorei o Ewan McGregor! O Lumière é uma das minhas personagens favoritas da Disney, daí o meu receio. Felizmente o ator mostrou-se mais que capaz de cumprir a sua tarefa e não me desiludiu.

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     Eu não fazia ideia que o Ian McKellen estava no filme. Demorei ainda um pouco a reconhecer a sua voz. Ele é um ótimo Cogsworth, pareceu que nasceu para fazer este personagem. E melhor, a sua química com o Ewan McGregor é espantosa, aliás, tinha de ser, senão estes dois fracassariam.

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     E a Emma Thompson foi outra surpresa. A atriz tem uma voz inconfundível e não havia nenhuma melhor para dar à Mrs. Potts. Ela é muito doce e gentil, mas desta vez, o público sabe que é ela, daí a sua prestação ser possivelmente melhor do que a da Angela Lansbury.

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     Algo que eu gostei muito igualmente foi a inclusão de atores não brancos no filme. Tanto na aldeia como no castelo do príncipe, há cidadãos negros de diferentes classes, não só da baixa, não há só negros camponeses. É bom ver que a Disney está finalmente a abrir os olhos.

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     Beauty and the Beast não é melhor que a animação clássica, isso é claro. Mas se aceitarmos ver este remake apenas para desfrutar novamente de uma história linda e nostálgica como esta, é um filme mais que eficiente. Eu passei maior parte do filme arrepiado e não podia pedir melhor. Na verdade, podia, mas, come on, toda a gente gosta da Disney. Talvez um dia ainda faça uma crítica da versão original.

 

Nota: B

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