Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Vida de um Cinéfilo

Gosto de filmes, e vou falar deles, e muito ...

Gosto de filmes, e vou falar deles, e muito ...

Vida de um Cinéfilo

17
Jun17

Gold (Ouro, 2016) - Crítica


Francisco Quintas

     Este filme foi um flop absoluto. Com um orçamento de 20 milhões de dólares, o que para Hollywood é baixíssimo, conseguiu fazer apenas pouco mais do que 11 milhões no mundo inteiro. E como se já não fosse mau, teve um rating de apenas 43% no Rotten Tomatoes. O filme não foi o melhor do ano, mas é bom o suficiente para não ser tão desprezado.

     Baseado no caso real de 1993, Kenny Wells, um explorador desesperado por um rasgo de sorte, decide começar uma busca por ouro na Indonésia com a ajuda de um geólogo, busca essa que originou mais tarde um dos maiores escândalos na bolsa.

thumb-1920-802933.jpg

     O filme é realizado pelo Stephen Gaghan, e esta é apenas a sua terceira longa-metragem. Anteriormente ele realizou Syriana de 2005, que deu um Óscar ao George Clooney, mas também fez Abandon de 2002, um filme de terror considerado um wannabe de Fatal Attraction. Gold não é uma coisa nem outra. No início, parecia-me que ia ver uma imitação foleira de The Wolf of Wall Street, apenas num diferente contexto. Eu estava enganado. Não quer isso dizer que o filme é espetacular, na verdade está longe de ser um dos melhores de 2016. Mas ele surpreendeu-me pela positiva, ele mostra ter um formato típico desse género, mas ainda com uma história verídica o realizador consegue manter o filme constantemente interessante. O trabalho de câmara não tem muita identidade, mas funciona, não há muito que reclamar em relação a isso. Duas coisas que impressionaram foram mesmo a banda sonora e a fotografia.

     Primeiro a banda sonora é bastante complexa. Começa bem com uma orquestra com vários instrumentos de percussão, até típicos de filmes destes, mas lá para o final entram alguns temas de guitarra acústica e eu pensei “Boa!”, até porque um final daqueles precisava de algo para relaxar. E ainda conta com a música espetacular “Gold” cantada pelo magnífico Iggy Pop, composta por Danger Mouse, Daniel Pemberton e pelo próprio Stephen Gaghan.

     E a fotografia do Edward Elwist, que ganhou o Óscar por There Will Be Blood de 2007, mais uma vez é composta por uma palheta de cores que não se diferencia muito daquele tom meio dourado meio sujo, que se encaixa bem no contexto da história e também no ambiente da Indonésia, onde o calor passa para o público e até o suor e a chuva incomodam.

v1.jpg

     Agora claro, nem tudo é excelente. Há algo que pode funcionar ou pode fracassar muito facilmente neste género, a narração. Personagens como o Jordan Belfort, interpretado brilhantemente pelo Leonardo Dicaprio em The Wolf of Wall Street, é o narrador, mas o homem quase não leva isso a sério, e nesse caso resulta, é algo quase satírico. Neste caso, nem tanto. O Matthew McConaughey tem uma voz fixe, todo o mundo sabe isso, nem todas as mulheres gostam dele, mas as que gostam, gostam mesmo. A voz do ator é sedutoramente invejável para um homem. Mas isso não quer dizer que a narração será automaticamente ótima, pois o mais importante é o guião. Não que ele seja mau, mas há certas informações que seriam fáceis de entender se o público continuasse a ver o filme atentamente, há coisas que são desnecessárias de se estar constantemente a relatar. Como já disse, o guião não é mau, há diálogos muito bons, é um script com altos e baixos. Por exemplo, há uma discussão muito bem representada, o problema está na sua origem, e não naquilo que é discutido. O filme cai naquele erro de meter o protagonista a meter-se com uma mulher mais bonita do que a esposa. Quando a história continuou, nada disso se torna relevante, por isso mais vaia esse arco nem existir.

     Mas falando nele, o Matthew McConaughey dá mais uma vez uma performance que eleva a sua carreira. Dito isto não quero dizer que ele está melhor aqui do em Dallas Buyers Club, longe de mim dizer isso. Mas cada interpretação que ele vai dá na sua carreira permite ao ator nunca mais ser confundido com aquele antigo ator de rom coms. Ele está um pouco acima do peso, o trabalho de maquilhagem é também muito (o cabelo, os dentes e até as mãos). Para não falar que, para além de carismático, agitado, precipitado e muito bêbado, ele é até um pouco alucinado. Se alguém tiver dúvidas sobre ver este filme, veja apenas pelo Matthew McConaughey. É ele o responsável por o filme não ser pior.

1242911076001_4533091509001_et-trending-matthew-mc

     O Édgar Ramírez acompanha bem a energia do Matthew McConaughey e mais uma vez mostra que é um ator com muito potencial e, mesmo já com 40 anos, ainda tem uma grande carreira futura. E claro, a sua química dos dois foi fundamental para a trama, especialmente a amizade que nasce entre os dois personagens.

1607133MV5BMTY0ODQxNzM3Nl5BMl5BanBnXkFtZTgwNzc3ODI

     Já a Bryce Dallas Howard, que é uma ótima atriz, fica reduzida à mulher do protagonista que discute com ele e que o deixa quando este “se porta mal”.

image.jpeg

     O Toby Kebbell é outro exemplo. 2016 foi o ano dele, Warcraft e A Monster Calls são ambas boas performances. Só que mesmo ele convencendo como um agente do FBI, é uma performance esquecível e sem aquele peso necessário.

Screenshot_20170617-011515.png

     De resto temos Corey Stoll e Craig T. Nelson, ambos bem como sempre, mas também sem muita coisa para fazer, pelo menos dão boas interpretações no pouco tempo que têm.

film-review-gold.jpg

     Gold beneficia-se principalmente pela sua história “original”, pelo seu ritmo cativante e pelo seu fator surpresa. Não evita desperdiçar algumas oportunidades de usar o seu elenco corretamente, mas o Matthew McConaughey permite que toda a experiência seja válida pela sua interpretação massivamente carismática.

 

Nota: B

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D