Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Vida de um Cinéfilo

Gosto de filmes, e vou falar deles, e muito ...

Gosto de filmes, e vou falar deles, e muito ...

Vida de um Cinéfilo

05
Jun17

In a Valley of Violence (2016) - Crítica


Francisco Quintas

   The time for begging is over … Now’s the time for praying …”. Se eu pudesse escolher deixas do cinema contemporâneo que se iriam imortalizar tanto como o “I’ll be Back!”, esta seria uma delas.

    Um forasteiro misterioso conduzido por um ato violento e com sede de vingança vai para a uma cidade pacata no Velho Oeste.

37.jpg

    É verdade que maior parte dos westerns clássicos ou modernos têm a mesma estrutura se forem típicos filmes de vingança, mas este toma certos caminhos que me surpreenderam e ainda por ter ido vê-lo sem assistir a algum trailer ou outra referência qualquer, fez-me apreciar esta aventura muito mais.

    O filme é escrito e realizado pelo Ti West, que fez os filmes razoáveis de terror The Innkeepers de 2011 e V/H/S de 2012. In a Valley of Violence deve ser o seu trabalho mais competente e original até aqui. Dito que este trata-se de um western moderno, há várias coisas que se deve ter em consideração. Primeiro, música, tensão e ação são os ingredientes para um bom western. Segundo, era também relevante se o filme tivesse o mínimo de originalidade. Maior parte dos planos são os típicos, mas mesmo assim muito bem trabalhados. Quando o protagonista cavalga em direção do seu destino há belíssimos planos gerais, mas o filme opta também por close-ups bem específicos em confrontos por exemplo. Sem me esquecer dos brilhantes créditos inicias e finais que são bem anos 60. A fotografia varia entre tons bem esbranquiçados do próprio ambiente onde o filme se decorre e cenas bem escuras apenas iluminadas por velas ou por uma fogueira. Dito isto, a fórmula dos westerns é respeitada.

    Agora, a banda sonora do Jeff Grace é espetacular, meso não estando ao nível das do Ennio Morricone. A verdade é que maior parte dos temas são inspirados em alguns trabalhos dele, mas o que eu penso que seja o tema principal ainda está na minha cabeça. A guitarra sedutora e a percussão são impecáveis.

    Porém, nunca se poderá comparar Ti West a Sergio Leone. Há algumas escolhas estranhas, personagens não totalmente bem construídos e sobretudo um ambiente cénico que não me convenceu. Vou explicar melhor, o protagonista inicia a sua estadia numa pequena cidade que supostamente é quase deserta. Ora para a cidade ter um Marshall é preciso que existam cidadãos, só que o problema é que os personagens que interagem na história são os únicos que se vêm na cidade totalmente. Não há crianças nem mulheres, o movimento da cidade é quase nulo e a vila não me convenceu como um personagem. Por sorte, o filme tem uma ação violenta espetacular. Chega a parecer algo que o Tarantino faria. Principalmente o confronto final, que tem sangue, tensão, reviravoltas e claro, muita tiroteio, sem parecer cartoonesco. Mas agora falando do elenco.

     O Ethan Hawke faz basicamente o mesmo fora-da-lei do Clint Eastwood e do Charles Bronson, aquele forasteiro que não fala muito, mas quando é preciso que um conflito seja travado ele está sempre lá. Mas claro que o Ethan Hawke tem um alcance dramático muito maior do que o do Charles Bronson, por exemplo. A diferença está no seu desenvolvimento. Ele está sempre acompanhado pelo seu cão e isso também cria uma certa empatia com o público, principalmente se contarmos com a excelente química que ele tem com todos os atores. É uma performance cheia de presença, carisma e energia.

MV5BMjA1NzI1ODEyMV5BMl5BanBnXkFtZTgwNjgyNjUxMDI@._

      O John Travolta faz o Marshall da vila e, para dizer a verdade, já há algum tempo que eu não o via tão à vontade num filme. Não é desta que o ator voltará a ter a atenção ou o brilho que teve, por exemplo, no Grease ou no Pulp Fiction. Mas tudo bem, o ator está-se a divertir com o personagem e consegue transmitir verdadeiramente uma imponência, mas também uma onda serena de compreensão, ele não é um vilão terrificamente malvado, ele conversa, tenta arranjar soluções para a situação central, mas também tem um ou dois momentos em que explode e isso é divertido.

in-a-valley-of-violence-review-2.jpg

      Eu sempre gostei do Burn Gorman, acho que ele consegue se diferenciar do alívio cómico aparvalhado e quase ter um estilo próprio de humor. Por acaso, este filme para um western tem bons momentos cómicos. Ele mais uma vez está confortável no seu papel, fora um pequeno efeito sonoro mal escolhido usado quando ele cai do cavalo que apenas não funcionou naquele contexto, quem vir o filme saberá do que estou a falar.

006 Burn Gorman as Priest.jpg

     O James Ransone é completamente maluco e ele sim é um bom antagonista. Não é um dos maiores psicopatas que já vi no cinema, mas ele assusta, é imprevisível e, acima de tudo, um bom vilão. Consegue fazer frente e acompanhar o Ethan Hawke. Houve apenas uma cena no ato final que me desiludiu um pouco, não por culpa do ator, mas o personagem toma uma certa medida que só o tornaria mais malvado e de seguida reage de uma forma completamente oposta daquilo que devia ser a sua reação. Estragou um pouco aquele que podia ser um grande twist.

valley-violence-633x356.jpg

      E a Taissa Farmiga não é má atriz, mas em algumas cenas ela cai para um melodrama e as coisas que diz podiam perfeitamente ser ditas sem aquele teatro todo. Estraga até a seriedade de alguns momentos importantes.

In-a-Valley-of-Violence-2016-Ethan-Hawke-Taissa-Fa

    In a Valley of Violence, mesmo com todas as suas virtudes, não é o melhor western da década, mas é bom o suficiente para divertir o seu público e para, sobretudo, incentivar o público a não deixar de amar um género que lentamente está a morrer.

 

Nota: B

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D