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Vida de um Cinéfilo

Gosto de filmes, e vou falar deles, e muito ...

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Vida de um Cinéfilo

22
Abr17

In Dubious Battle (Batalha Incerta, 2017) - Crítica


Francisco Quintas

     Baseado no livro fictício de 1936 escrito por John Steinbeck com o mesmo nome, In Dubious Battle conta a história de Mac McLeod e de Jim Nolan, interpretados por James Franco e Nat Wolff, que em 1933 na Califórnia, altura da Grande Depressão, começam a trabalhar numa plantação de maçãs quando decidem começar uma revolução para exigir melhorias nas condições de trabalho e salários decentes.

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     O filme é mais um trabalho de realização do James Franco, cujo debut foi The Ape de 2005, que é uma comédia bem tosca. Com uma carreira de realização de apenas 12 anos, o ator apenas conseguiu fazer um bom trabalho, The Disaster Artist em 2016, mas ainda é notável que ele ainda tem pouca habilidade de segurar um filme.

     Uma coisa que ele faz muito bem é segurar o ritmo do filme, que é bem consistente e enérgico. O guarda-roupa e a direção artística recriam muito bem a época suja dos anos 30 na América e o tema principal da banda sonora é bastante memorável. Algo bem feito é também o realismo daquela época. Toda a frustração e humilhação dos trabalhadores é genuína, assim também como a sua vontade de lutar pelos seus direitos. O filme logo me interessou devido ao elenco, que é enorme e cheio de bons atores. E um dos problemas centrais é esse, o James Franco não conseguiu desenvolver todos os personagens de maneira digna, há muito talento desperdiçado aqui.

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     O James Franco é um ótimo ator e é uma das melhores coisas do filme. Ele cria um personagem ao mesmo tempo carismático, porém aldrabão e mentiroso, alguém por quem as pessoas sentem empatia facilmente, mas também uma ligeira desconfiança.

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     O Nat Wolff, por outro lado, está bastante afetado. A performance dele é demasiado suave e calma, era para se ver um lutador, um rebelde. O ator faz cara de bonzinho, mas é pouco expressivo em algumas cenas e quando tenta se mostrar revoltado sai algo muito forçado. Foi o ator mal escolhido para o papel.

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     De resto no elenco estão Robert Duvall, que está ótimo como sempre a fazer um homem de negócios arrogante e que não olha a meios para ganhar. Vincent D’Onofrio, que está carismático como sempre e que sabe segurar bem cenas de discurso ou de rebelião. Josh Hutcherson como um jovem que representa perfeitamente o homem com o pensamento mais perverso do lado de uma revolução, foi uma performance que me impressionou. E Selena Gomez, que não incomoda, mas também não chama à atenção, não é desta que a atriz mostra os seus “dotes” de acting. O que me incomodou foi a relação dela com o Nat Wolff. É muito apressada e não permite que se forme qualquer química. Somando isso ao facto de o Nat Wolff não ter energia para carregar um filme destes.

     Depois temos Sam Shepard, Bryan Cranston e Ed Harris, três dos atores mais versáteis vivos e que são completamente desaproveitados.

     O filme tem alguns discursos, o que era algo que eu esperava vindo de um filme de revolução. Há 2 ou 3 bons e que impressionam, mas outros que se resumem a metáforas baratas, motivações forçadas e a gritos de protesto.

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     Outro problema é a exposição. Ouvir a voz do James Franco a narrar o filme até é agradável, mas nada do que ele diz é novidade. O filme mete umas quantas cenas vazias que só transmitem informações óbvias e repetitivas. O filme teria se beneficiado de alguns silêncios juntos com apenas algumas imagens para contar a história, já que também há muito diálogos. E por último, há um triângulo amoroso, cujos diálogos consequentes são ridículos e é a coisa mais inútil do filme.

     O filme tem quase duas horas e só precisava de uma hora e meia. Por outro lado, é uma história importante que merecia duas horas e pouco. O problema é que se deu espaço a tramas e elementos desnecessários, o que impediu que a história evoluísse com mais eficácia.

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     In Dubious Battle faz um bom trabalho a recriar a realidade da Grande Depressão na América. Tem uma boa trama, porém mal-executada. O elenco é enorme, o que não permite um desenvolvimento eficiente de todos os personagens e é gasto demasiado tempo com sub-tramas desnecessárias.

 

Nota: C-