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Vida de um Cinéfilo

Gosto de filmes, e vou falar deles, e muito ...

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29
Jun17

John Wick (2014) - Crítica


Francisco Quintas

     John Wick: Chapter 2 estreou em fevereiro. Provavelmente devia ter começado este blog mais cedo. Dessa maneira, teria feito antecipadamente a review de John Wick, de 2014. Mas mais vale tarde do que nunca, até porque um thriller neo-noir de ação como este merece atenção! Aproveito para dizer que esta crítica terá spoilers moderados.

     Jonathan Wick, um assassino reformado, volta ao ativo em busca de vingança depois do seu cão ser morto e o seu carro roubado durante um assalto, sendo o cão e o carro a única lembrança da sua mulher recém-falecida.

John-Wick-Poster.jpg

     A realização é da dupla Chad Stahelski e David Leith. O Chad Stahelski manteve-se como realizador da sequela, mas desta vez solo. Já o David Leith foi confirmado como o realizador de Deadpool 2, que sairá em 2018. Ambos são coordenadores de duplos e isso foi muito notável. Muito frequentemente vemos filmes de ação com duplos mal feitos. John Wick não é o caso, é um alívio, nesse e noutros sentidos. A começar pelo estilo. Alguns críticos afirmaram que o filme tinha mais estilo do que substância. Na verdade, era difícil ter assim muita substância. O filme preferiu manter-se pela simplicidade, visto que a trama é bastante simples e até genérica. Mais uma vez se provou que o que importa não é a trama, mas sim a execução da mesma. E isso acontece quando um filme é tão objetivo como este, John Wick não perde tempo a mostrar como é que um personagem passa de A para B. Os realizadores confiam no público e não querem perder tempo, eles querem dar o máximo de ação e violência.

     A fotografia do filme é espetacular! É muito colorida e brilhante. Oscila entre várias cores bastantes vivas ou sujas, dependendo de quais elas são. As mais presentes são o cinzento, o azul, o roxo e o preto. Há uma cena espetacular feita com sépia em que o John Wick vai apenas fazer umas derrapagens e a atmosfera lembra um western. Aliás, há vários elementos aqui que lembram westerns.

johnwick11.JPG

     A primeira vez que vi, pensei que fosse baseado numa graphic novel, é essa a impressão que o filme dá. Algo que eu gostei muito é que, durante as cenas de ação, quando os seguranças russos comunicam entre si, as legendas em inglês aparecem espalhadas pelo ecrã e com diferentes cores. É original e muito bonito.

     Algo que me interessou bastante foi a forma como o mundo dos criminosos foi desmistificado. Aquele hotel e aquele bar está cheio de assassinos a conviverem. É muito curioso, é uma sociedade na qual ninguém pode “resolver” nem falar de “negócios”. Eu gostei, é uma maneira única de ver este mundo, já que a história em si não sai muito do convencional. E é com o Lance Reddick que o filme acha as suas cenas mais soft e engraçadas. Eu gostei muito dele, foi uma ótima escolha para tornar o tom mais leve.

lancereddick.jpg

     A música é outro elemento espetacular. O melhor tema consiste numa guitarra elétrica bem pesada, diria até suavemente agressiva, complementada com uma percussão numa fusão com eletrónica … Uau! Mas um momento que eu não esperava era a cena da discoteca. Assim que o John Wick começa a matar todos os seguranças, aquilo que julgava que ia ser uma música bem frenética e agitada, foi na verdade uma melodia que mais parecia uma musica de embalar. Isso torna uma cena de homicídios numa coisa poética, não é algo que se veja muitas vezes. Isso torna o filme agradavelmente cínico, chegou-me a lembrar Guardians of the Galaxy, que tem uma cena semelhante.

     O Keanu Reeves nunca foi um ator com um alcance dramático muito grande, mas ele está ótimo aqui. Ele tem bons momentos dramáticos, mas é no silêncio e no tom monocórdico do personagem que este acha a sua voz. É um estudo de personagem é muito bom e o Keanu Reeves parece mesmo um hitman. E como um hitman, ele é extremamente inteligente e não desperdiça o seu tempo com ninguém. Ele mata os adversários com um tiro fácil na cabeça e avança para o próximo.

John-Wick-2.jpg

     E por falar em hitman, a ação é espetacular, tanto os confrontos como as perseguições. O CGI é bom, mas é usado poucas vezes, e ainda bem. As lutas são muito bem coreografadas e usam muitos efeitos práticos. É minimalista, mas extremamente bem feito.

     O Michael Nyqvist (descanse em paz) é um ótimo antagonista! É uma pena que o ator tenha morrido recentemente, ele era realmente muito bom, não só aqui claro. Ele cria um vilão imprevisível, cínico e bastante apático. A maneira como o ator interpreta o texto torna o personagem agradavelmente temível e carismático de certa forma. Ao princípio ele é um vilão genérico (russo, forte, com barba, tatuado, etc.), mas felizmente essas coisas são esquecidas pelo seu enorme talento de ser mau, de ser realmente cruel.

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     O Willem Dafoe é bom ator, mas aqui é subutilizado, eu odeio ver talento desperdiçado. Aquele que podia ser um parceiro no crime do John Wick passou a ser quase um acessório. A morte dele foi de facto a sua melhor cena, foi aí que vimos a vontade do Willem Dafoe em assumir um papel mais importante. E já agora como é que ele sabia que a Ms. Perkins apareceria àquele exato momento? Foi ilógico.

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     Falando nela, a Adrianne Palicki também cumpriu o seu dever e teve uma boa morte, mesmo não sendo a personagem mais interessante. É um filme com boas mortes! De resto temos Ray Winstone e John Leguizamo, que mesmo aparecendo pouco, tiveram excelentes cenas!

Keanu-Reeves-John-Wick.jpg

     John Wick é objetivo, minimalista, cínico, divertido, violento, enérgico e, o melhor de tudo, original. É um dos melhores filmes de ação da década e é um bom impulsionador de uma futura franchise (que até já começou). Espero que a sequela seja boa!

 

Nota: A-

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