Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Vida de um Cinéfilo

Gosto de filmes, e vou falar deles, e muito ...

Gosto de filmes, e vou falar deles, e muito ...

Vida de um Cinéfilo

03
Jul17

John Wick: Chapter 2 (John Wick 2, 2017) - Crítica


Francisco Quintas

     Porquê Portugal? Qual é a dificuldade de chamar Capítulo 2 a este filme? Não era difícil. Bem, mudando de assunto, devia começar por criar a minha lista dos cinquentões mais badass do cinema. Harry Hart, Robert McCall, Bryan Mills e, claro, John Wick entrariam. Bem, vamos a isto.

    Depois de retornar ao submundo criminoso para pagar uma dívida, Jonathan Wick descobre que uma grande recompensa foi colocada pela sua vida e assim começa uma nova luta enorme por sobrevivência.

share.jpg

   O filme é novamente realizado pelo Chad Stahelski e este (mais uma vez) mostra como o seu talento de coordenador de duplos pode ser tão útil num filme de ação. Tal como o primeiro filme, a este tem estilo, violência e um excelente trabalho de câmara (takes mais longos desta vez), de edição e de duplos. Apenas a banda sonora não mudou, há apenas uns novos temas pequenos, mas quem reconheceu os temas originais vai ficar contente por ouvi-los novamente. Vamos começar pelo estilo. O filme é radiosamente bonito, é brilhante, é colorido e a sua fotografia continua a surpreender, mesmo não tanto como o primeiro, mas isso era de esperar.

      Eu não sou fanboy, mas há que reconhecer quando uma sequela consegue estar ao nível do original. Desta vez a história é mais elaborada, mesmo não criando um thriller de mistério absolutamente quebra-cabeças. O filme continua simples, mas requer um conhecimento prévio desse universo. E, claro, continua muito violento, talvez até se tornou mais violento. Não podia pedir melhor! O John Wick mata mais gente, prepara-se mais cuidadosamente e há um número absurdo de corpos, de golpes sangrentos e de efeitos sonoros incómodos. São esses os headshots e os ossos a partir. Pode não ser ao nível do Tarantino, mas é bom.

    O que uma sequela deve fazer é desenvolver arcos do filme original. O primeiro John Wick, de 2014, era uma história relativamente simples, sendo assim, não pedia um grande desenvolvimento nem do seu arco principal nem dos seus personagens. O Lance Reddick continua excêntrico e, mais uma vez, sente-se confortável interpretando o elemento leve e “cómico” do filme.

transferir.jpg

     Apenas o Ian McShane é que merecia mais desenvolvimento e, quem sabe, algumas camadas de surpresa. Depois do Viggo, no primeiro filme, era o personagem que mais me interessava. O ator continua ótima como sempre, mas faltou-me qualquer coisa. Esta franchise vende-se muito igualmente pelos diálogos antes dos confrontos, eu não considero o guião uma obra-prima, mas acho que o Derek Kolstad, mais uma vez, foi na direção certa. Só se o John Wick tivesse mais cenas com o Winston é que eu me sentiria satisfeito. O conflito que surge nesta sequela foi guardado para um terceiro filme, mas eu queria ver o princípio desse conflito aqui, eu queria mais do Ian McShane.

john-wick-2-ian-mcshane-2.jpg

     Mas verdade seja dita, o Keanu Reeves continua ótimo. Digam o que quiserem, ele é bom ator. Não é dos grandes, mas é bom. Algo que eu queria ver desta vez era mais vulnerabilidade, mais fraqueza, queria ver aquele assassino implacável com dificuldades extremas. Para além de ter a dose perfeita daquilo que queria, ainda assisti a mortes sangrentas e impiedosas. Principalmente quando falamos da sua química nas cenas com o Common.

wickbar.jpg

     O Common ainda é um ator em ascensão, mas provou mais uma vez que tem potencial. Ele tem muita presença e a sua capacidade de se inserir nas cenas de ação com o Keanu Reeves, tanto com armas, tanto mano a mano, é excelente. As cenas de ação entre os dois são as mais interessantes e mais tensas.

john-wick-image-four.jpg

     O Riccardo Scamarcio, na sua primeira cena, deu a entender que ia ser um vilão bom e diferente. Inclusive, eu gostei do seu olhar expressivo na sua primeira conversa com o John Wick. Mas, à medida que a sua “personalidade” vem ao de cima, ele torna-se genérico e esquecível. Definitivamente, tentou ser o novo Michael Nyqvist e falhou, o Viggo Tarasov está a anos-luz do Santino.

john_wick-chapter_2_movie-images-stills-.jpg

     A Ruby Rose mesmo não sendo tão interessante, prende o público com a sua postura. Eu gostei muito do facto de o capanga indestrutível ser uma mulher. É muito refrescante, principalmente comparando com os filmes do James Bond.

john-wick-2-ruby-rose-ares.jpg

     E o Laurence Fishburne, como o bom ator que é, volta a ser muito convidativo. Tal como aconteceu com o Ian McShane e com o John Leguizamo, o seu arco ficou pendurado para uma futura sequela. Percebo onde o Chad Stahelski queria ir. Ainda assim, foi um pouco frustrante, mas vamos ter de esperar. Houve apenas um pequeno detalhe do submundo dele que não gostei, um ligeiro pormenor apressado demais.

thumbnail_25316.jpg

    Eu tenho de referir também que o último ato é o melhor de todos. Para além da sequência dos espelhos ser espetacular, o final … é daqueles, não dá para dizer muito mais. Não é ambíguo nem nada disso, mas é aflitivo e cruel, dependendo do ponto de vista de cada um.

MV5BNzUyNTA4MDk0OF5BMl5BanBnXkFtZTgwMjA0NDA5MDI@._

     John Wick: Chapter 2 pode não ser melhor que o seu antecessor nem se beneficiar do fator surpresa da mesma maneira. Mas é uma boa sequela, continua violento, divertido, tenso e os fãs da franchise vão ficar mais que satisfeitos.

 

Nota: B+