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Vida de um Cinéfilo

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Kingsman: The Golden Circle (Kingsman: O Círculo Dourado, 2017) - Crítica

     Parcerias entre americanos e ingleses podem funcionar muito bem. Contudo, há que reconhecer que a América nunca terá filmes de espionagem tão bons como os da Grã-Bretanha!

     Depois da sede e milhares de agentes da Kingsman serem exterminados por uma misteriosa criminosa, cabe mais uma vez a Eggsy salvar o mundo. Desta vez, este conta com a ajuda de uma organização secreta igualmente peculiar e pronta para o combate.

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    O filme é novamente escrito e realizado pelo Matthew Vaughn, um dos realizadores de ação mais experientes da atualidade, responsável pelos ótimos Kick-Ass e X-Men: First Class. Mais uma vez, ele prova que, ao contrário de realizadores como o Zack Snyder, acha um equilíbrio quase perfeito entre a história que quer contar e a estética dos mundos que cria. Tal como Kingsman: The Secret Service, a sua sequela exibe cenas de ação espetaculares, com uma enorme atenção a detalhes no que diz respeito à sua noção de espaço e coreografia, assim como uma reinvenção das “engenhocas”, um uso mais que eficiente e moderado de CGI e câmara lenta e uma mão perfeita para os excecionais e longos planos sequência. Ou seja, quem gostou da ação e da violência do original, certamente gostará das cenas de ação deste filme. O Matthew Vaughn é também um realizador com uma visão sensacional para a violência. Quase todos os seus filmes conseguem inesperadamente chocar o público. É uma violência tão caricata e deliciosa quanto os diálogos.

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     O guião continua bastante eficaz no que diz respeito ao humor. O filme consegue ser mais engraçado que o primeiro, praticamente todas as piadas funcionaram na sala de cinema. No entanto, há um sério problema responsável pelo declínio do filme a partir da sua metade: o excesso de novos personagens e o seu pobre desenvolvimento.

     Vamos começar pelos “antigos”. O Taron Egerton continua ótimo e confortável com o seu personagem. Depois de, instantaneamente conquistar o mundo com o Kingsman original e mostrar o seu talento, o ator faz-me querer ver mais dele no futuro.

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     O Colin Firth escusa comentários. Na verdade, este tem a sua piada particular. Quem não a aceitar, poderá não gostar do filme. Na verdade, há muita coisa que não precisa de ser levada a sério. É essa a magia deste universo.

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     O Mark Strong continua firmíssimo, sólido e intocável. Ele tem mais que fazer e até se torna mais engraçado, tem mais possibilidades cómicas. Foi sempre o meu personagem secundário preferido.

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     Falando dos Statesmen. O Channing Tatum era o personagem com mais potencial cómcio. Era possível fazer algo muito bom, mas o personagem sofre uma decisão pobre do guião e é desaproveitado.

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     O mesmo se pode dizer da Halle Berry. Mais uma vez, a atriz não recebe um papel digno do seu talento. A personagem nunca vai além daquilo que lhe dão, algo muito frustrante principalmente quando contracena com o Mark Strong. A ótima dinâmica dos dois permitia-lhes desenvolver um arco muito mais interessante, sem cair para caminhos desnecessários. Aliás, é exatamente isso que acontece, um caminho desnecessário.

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     O Jeff Bridges não faz absolutamente nada. Mesmo com algumas curtas boas piadas, é o personagem mais inútil do filme.

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     O Pedro Pascal, tal como o Channing Tatum, tinha um enorme potencial. O personagem começa com um enorme carisma, mas lá para o fim é envolvido num arco completamente vindo do nada, o que estragou o personagem.

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     Já a Julianne Moore interpreta uma antagonista muito charmosa, excêntrica, engraçada e, claro, psicopata. Mesmo a personagem não sendo superior ao do Samuel L. Jackson, era exatamente aquilo que esperava, a atriz não desilude.

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     Outro erro do guião foram algumas mudanças abruptas do tom. O filme explora a legalização das drogas. É uma discussão interessante, até porque nos dá uma ideia (caricata) da visão dos superiores da política americana. O propósito fica claro, mas por vezes o debate estica-se além do necessário. Outro arco longo demais é a relação do Eggsy com a mulher. Se alguns diálogos fossem excluídos dessas duas sub-plots, teríamos um guião muito mais concentrado. As únicas mudanças de tom justificáveis são as originadas pelas cenas de reconciliação entre o Harry Hart e o Eggsy.

     Todavia, há um encanto inesquecível: os estereótipos sulistas americanos. Há ótimas referências, sotaques e tiques brilhantemente retratados e uma espetacular homenagem à cultura dos cowboys americanos. Tudo isso origina momentos hilariantes.

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     Tecnicamente, o filme não podia compensar mais. A fotografia é ainda mais lustrosa que a anterior, aquele submundo torna-se ainda mais lustroso. Já a banda sonora é composta pela maior parte dos bons temas do original e elevada por uma seleção espetacular de música country e pela participação irretocável do Elton John.

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     Kingsman: The Golden Circle não é dececionante. Numa balança, as qualidades pesariam mais, o filme é digno de assistir pelas suas extraordinárias cenas de ação, pelos deliciosos estereótipos e pelos empáticos personagens "antigos". Infelizmente, o pobre desenvolvimento dos novos e o frustrante desperdício de arcos promissores não o tornaram melhor que o seu antecessor.

 

Nota: B-

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