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Vida de um Cinéfilo

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Kingsman: The Secret Service (Kingsman: Serviços Secretos, 2015) - Crítica

     Assisti a Kingsman: The Golden Circle no passado fim-de-semana e pensei em fazer a crítica do original. Porque não? Afinal, o primeiro Kingsman foi um dos melhores filmes de 2015.

     Baseado na série de banda desenhada Kingsman, escrita por Mark Millar e Dave Gibbons e publicada em 2012, o filme conta a história de Eggsy, um jovem londrino que se forma na organização secreta britânica de espionagem Kingsman, com o objetivo de combater o vilão megalomaníaco Valentine.

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    O filme foi escrito e realizado pelo Matthew Vaughn. Com o tempo, este mostrou-se cada vez mais talentoso. O seu estilo visual e habilidade de desenvolver cenas de ação complementam-se perfeitamente com a história que quer contar. Kingsman foi muito bem recebido pelo público e pela crítica, sendo assim, uma das maiores surpresas do ano. Claramente, trata-se de uma homenagem/paródia aos filmes de espionagem clássicos do James Bond. A era mais recente dessa franchise, a era Daniel Craig tem ação numa escala maior, sequências mais violentas e velozes, ao contrário das eras Sean Connery e Roger Moore, cuja sofisticação é o maior destaque, permitindo assim estabelecer o protagonista como um verdadeiro gentleman.

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     Ainda assim, o Matthew Vaughn conseguiu estabelecer o equilíbrio perfeito entre cavalheirismo clássico e sofisticado e ação típica de blockbuster. Aliás, “típica” não é a palavra certa. Kingsman: The Secret Service pode recorrer a alguns caminhos previsíveis, mas é tudo menos um filme previsível. Tem o seu próprio estilo, mesmo recorrendo a muitas referências do género da espionagem.

     Comecemos por aí. O Colin Firth é uma mistura de um Sean Connery com um Daniel Craig. Ele tem o mais puro charme de um cavalheiro inglês, complementado na dose ideal com uma capacidade para o combate surpreendente. O ator outrora de comédias românticas convence como uma estrela de ação e fez maior parte das suas cenas. Para quem não sabe, este foi treinado pela equipa do Jackie Chan, provando que, apesar dos seus 55 anos (na altura), o ator ainda tem muito para oferecer.

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     O Taron Egerton foi a derradeira surpresa. Dentro de inúmeros candidatos para o papel do Eggsy, o Matthew Vaughn fez a escolha mais acertada. Não só o jovem ator tem o carisma certo para ter uma carreira promissora, mas também um enorme talento para trabalhar com o realizador mais vezes. O filme Eddie the Eagle, de 2016, provou isso. O Eggsy é um jovem rebelde e problemático, mas igualmente inteligente, cauteloso e esforçado. As cenas dele com o Colin Firth são as mais interessantes de acompanhar. A relação de amizade é muito genuína, a química entre os dois é perfeita e nota-se que ambos os atores competem entre si enquanto contracenam.

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     Outro ator irretocável é o fabuloso Samuel L. Jackson. Pouquíssimos atores conseguem se impor desta maneira. O Valentine é um antagonista hilariante, mas também ridículo e inesperado. Ele enoja-se facilmente, o sotaque é absurdo e o guarda-roupa é típico do Sam Jackson. Por estas e outras, o ator é um dos melhores em atividade.

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   A Sofia Boutella, que interpreta a Gazelle, é muito competente. A personagem é claramente uma homenagem a vilões clássicos como o Jaws ou o Oddjob. Pena é a atriz ter poucos bons papéis e a sua carreira ser tão oscilante.

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    O Mark Strong é um ator muito firme, é essa a palavra que o define. O personagem Merlin é inteligente, carismático e igualmente engraçado. O ator tem muita presença para quem passa maior parte do tempo atrás de um computador.

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   Já o Michael Caine pode não ser um personagem tão interessante ou importante, mas ao menos tem aquele plot twist inesperado no ato final. Na verdade, o ator está sempre bem.

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    O Matthew Vaughn tem um estilo muito característico. Algo a que este recorre muito são planos sequência longos e dificílimos. Enquanto o realizador ostenta a beleza de uma cena de ação extremamente bem feita, consegue também fazer permanecer a ilusão de um take só. Outra particularidade é a violência artística na sua filmografia. Tal como o seu terceiro longa, Kick-Ass, Kingsman não tem medo de mostrar seja o que for para chocar o público. Exemplo disso é a cena bombástica da igreja, que tem tudo para funcionar: uma violência irretocável, uma escolha musical perfeita e uma coreografia de deixar cair o queixo. É uma das melhores cenas de ação que já vi!

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     Escusado será dizer que a banda sonora é sensacional! O tema principal dos Kingsman, que aparece também no trailer, é muito melodioso e digno de aplausos. O Henry Jackman e o Matthew Margeson sabiam o que estavam a fazer. Outros aspetos técnicos belíssimos são a fotografia limpa, dourada e exemplar do George Richmond, e o design artístico, responsável pelas espetaculares armas e fatos dos agentes. Nunca foi tão fixe andar com um chapéu-de-chuva!

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   No entanto, Kingsman apresenta apenas dois problemas: a falta de maquilhagem/CGI no personagem do Colin Firth (o filme recua e avança 17 anos e o ator nunca parece que envelheceu) e a inclusão do personagem Charlie no ato final. É um personagem que não tinha nada mais a oferecer e que acabou por não fazer a diferença.

   E por falar em ato final, o último showdown é sensacional! Poucos blockbusters conseguem acabar numa nota tão alta como esta. É a excelente coreografia do confronto da Gazelle contra o Eggsy, é a tensão do Merlin no avião, são as cabeças dos guardas e políticos a explodir e a épica animalidade dos cidadãos no mundo inteiro. O filme não podia ter um ato final melhor!

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     Kingsman: The Secret Service é um excelente modelo daquilo que um blockbuster deve ser: engraçado, original, explosivo, tenso, envolvente e, claro, divertido! É o melhor filme da carreira do Matthew Vaughn, logo à frente de X-Men: First Class, e um dos melhores filmes de espionagem/ação da década (num contexto de homenagem/paródia)!

 

Nota: A-

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