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Vida de um Cinéfilo

Gosto de filmes, e vou falar deles, e muito ...

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14
Jul17

Kong: Skull Island (Kong: Ilha da Caveira, 2017) - Crítica


Francisco Quintas

     Em 2014, com a estreia de Godzilla, deu-se início a um novo universo da Warner Bros. Pictures chamado MonsterVerse, baseado nas histórias dos monstros clássicos Godzilla e King Kong. Godzilla: King of the Monsters e Godzilla vs. Kong já foram anunciados para 2019 e 2020, respetivamente. Godzilla não foi excecional, foi somente bom (em breve farei uma crítica desse filme). Será Kong: Skull Island o mesmo caso?

     O filme passa-se em 1973 e segue uma equipa de cientistas e soldados numa viagem de exploração a uma ilha desconhecida no Pacífico. Depressa os integrantes percebem que têm de lutar para sobreviver perante a descoberta de monstros perigosíssimos.

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     Esta é a segunda longa-metragem do Jordan Vogt-Roberts. Ele fez muitas curtas, documentários e trabalhos para a televisão. A sua primeira longa foi o filme The Kings of Summer, de 2013. Com um orçamento de 185 milhões de dólares para um filme dentro do MonsterVerse, era quase imperdoável se este realizador falhasse.

     O filme certamente se venderá pelos aspetos técnicos. São utilizados muitos planos gerais, abertos mais que suficiente para ostentar a grandiosidade da Skull Island. Aliás, a ilha é fantástica! Basicamente é uma floresta tropical gigante. Ela é densa, perigosa e quente, muito quente. E isto graças à fotografia, o visual e as cores do filme são elementos espetaculares! Em relação ao visual, este filme já teve muitas comparações (merecidas) com Apocalypse Now. A cor constante do filme é um castanho dourado fervente, muito presente nos clássicos de guerra na floresta tropical, como Platoon e, mais uma vez, Apocalypse Now. Sem se esquecer claro, da linda lua e do céu escuro da noite. Descobri que o Larry Fong (diretor de fotografia de Watchmen) era o responsável. Está explicado. Referindo também a banda sonora deliciosa composta por rock dos Anos 70! Magistral!

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     A fotografia ajuda muito bem nas cenas de ação, mas tais cenas quase que mereciam um texto inteiro só paras elas. Eu não faço ideia como é que o realizador conseguir imprimir tanta beleza em cenas tão violentas e brutais. As cenas de ação são absolutamente monumentais, o que falta de substância aqui, sobra em estilo, não é todo o filme que consegue quase se redimir nesse aspeto. A destruição, a violência, o espetáculo visual e os confrontos de humanos contra monstros e monstros contra monstros são de deixar cair o queixo. Tudo funciona: as cenas em slow motion, a interação entre os personagens e os monstros criados em CGI.

     Logo a primeira aparição do King Kong é absurda. É um ótimo trabalho de câmara, os takes são longos e a edição é frenética, sem nunca deixar a cena confusa. Porém, algo me incomodou. A cena começa com um céu típico de uma tarde normal. Durante a batalha entre os helicópteros e o Kong, aparece um lindo pôr-do-sol. Depois já é de dia outra vez. É um erro de continuidade muito grave. Outro grande erro foi o número de sobreviventes desse mesmo confronto. Muitos personagens sofrem quedas absurdas dos helicópteros e, ainda assim, sobrevivem. Há certas equipas que apenas se salvariam com um milagre. E isso leva-nos ao elenco.

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     O principal problema aqui não é maus desenvolvimentos, mas sim o excesso de bons atores (desperdiçados) e um número exagerado de personagens. O realizador não conseguiu equilibrar todos arcos. O ator que mais facilmente se destaca é o Samuel L. Jackson. O filme faz um comentário breve, mas eficiente, sobre a guerra. A natureza da guerra está entranhada na personalidade desse coronel e vemos um homem quase sensibilizado pela destruição que não se imagina fora de um ambiente de guerra. É um ator fantástico!

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     A Brie Larson e o Tom Hiddelston são uma dupla de ação carismática e funcional, mas o desenvolvimento dos personagens é mau. A Brie Larson é uma excelente atriz, mas não convence como uma fotógrafa de todo, andar com uma câmara a tirar fotos a tudo não é ser fotógrafa. Já o Tom Hiddelston é corajoso e … mais nada, não sabemos grande coisa sobre ele. Trata-se só do típico herói durão de Hollywood.

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     O John C. Reilly, para além de ser um alívio cómico muito engraçado, é ainda o personagem mais interessante do filme. É um personagem carregado de carisma, presença e deixa o público à espera do seu próximo passo.

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     De resto temos uma turma enorme de bons atores completamente subutilizados: John Goodman, Corey Hawkins, Jason Mitchell, Shea Whigham, Thomas Mann e outros mais.

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     Todo o CGI do filme é excelente. Obviamente, nós sabemos que os monstros se tratam de efeitos visuais, acho que, nos dias hoje, esta tecnologia não pode evoluir mais. Apenas fiquei na dúvida se o King Kong era uma performance de motion capture ou se era “só” CGI. Depois descobri que o Toby Kebbell e o Terry Notary foram os responsáveis pela criação do Kong. Está explicado. Aliás o Kong tem mais personalidade desta vez e é retratado como um ser mais protetor, preocupado pelos mais fracos e até um Rei solitário. E graças ao motion capture, os seus olhos são muitos expressivos e bonitos!

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     Kong: Skull Island não é tão mau como têm andado a dizer. As personagens humanas esquecíveis e genéricas não permitiram ao filme ser melhor do que Godzilla. Ainda assim, é muito fácil gostar deste filme. A introdução ao King Kong é satisfatória e o grande ponto atrativo é o conjunto das sensacionais cenas de ação, que redimem tudo o que o filme faz de mal. Por isso, preparem pipocas e divirtam-se!

 

Nota: B-

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