Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Vida de um Cinéfilo

Gosto de filmes, e vou falar deles, e muito ...

Gosto de filmes, e vou falar deles, e muito ...

Vida de um Cinéfilo

07
Abr17

Little Men (Homenzinhos, 2016) - Crítica


Francisco Quintas

     Little Men foi um dos filmes presentes no Lisbon & Estoril Film Festival de 2016 e está entre os melhores dramas do ano. Eu nunca tinha ouvido falar do realizador Ira Sachs, mas a partir de hoje vou ficar de olho nele. Ele faz tudo certo aqui. Mesmo o filme não sendo perfeito, está perto disso, sendo uma história e um guião simples, o filme tem um movimento de câmara estático demais, talvez se teria beneficiado de mais alguns tracking shots, o que na verdade estão presentes mas em pouco número. Também há alguns planos sequência, a maior parte bem elaborados mas, outra vez, feitos com um plano geral estático demais. Mas outros pontos fortes do filme são a sua música tema e a sua fotografia, que consegue dar cor à cidade monótona de Brooklyn.

maxresdefault (1).jpg

     Fora os aspetos técnicos, as interpretações são muito boas, o elenco como um todo é a melhor coisa do filme. O Greg Kinnear está ótimo com um homem cansado e destroçado, é algo que o ator já fez mais do que uma vez  na carreira mas, por outro lado, isso é bom porque o ator também é. A Jennifer Ehle, ao invés de ficar reduzida apenas à mulher dele, também ajuda na história, ela é a voz da razão do Greg Kinnear e dá uma interpretação muito calculada e calma.

     As grandes revelações, no entanto, são o Theo Taplitz e o Michael Barbieri que carregam o filme quase inteiro às costas. Há muita naturalidade e reserva aqui. A amizade que nasce entre os dois é muito genuína e bonita de se ver. O Jake, interpretado pelo Theo Taplitz, é o mais reservado, sofrido, introvertido e incompreendido. O Tony, interpretado pelo Michael Barbieri, é mais enégico e extrovertido, é sempre ele que puxa pelo amigo e que mais interesse tem em ouvi-lo. São duas personalidade muito opostas mas muito bem construídas. Os atores jamais querem mostrar as suas habilidades, em vez disso, eles estão mesmo lá.

     Mas o show é todo da Paulina Garcia. Ela é a personagem mais interessante do filme. A atriz desenvolve, em certas ocasiões, um caráter passivo-agressivo, porém amável e calmo noutras. A angústia que a mulher sente é muito verdadeira, logo de cara percebemos que esta tem alguma tristeza guardada. Já a Talia Balsam, que interpreta a irmã do Greg Kinnear, é um problema. Eu não conhecia a atriz e ela nem parece má, mas a sua personagem ficou reduzida ao diabinho do ombro do irmão, ela entra no filme só para o apressar a fazer algo sobre o qual ele tem dúvidas. A personagem é desnecessária, o conflito existente já estava presente na consciência dele mesmo, com algumas alterações no guião seria tudo mais simples e ele podia ser filho único. Felizmente a personagem não permance durante muito tempo.

MV5BNTAyOTUzNTIxNl5BMl5BanBnXkFtZTgwMTE1MDM5ODE@._

     Little Men é um ótimo retrato das relações entre jovens e adultos e sobre o impacto que as estupidezes do adultos têm sobre as amizades das crianças.

 

Nota: A-