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Vida de um Cinéfilo

Gosto de filmes, e vou falar deles, e muito ...

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Vida de um Cinéfilo

24
Jul17

Logan (2017) - Crítica


Francisco Quintas

     Depois de uma longa maratona dos filmes dos X-Men, finalmente pude ver Logan. Perdoem-me cinéfilos, mas eu nunca tinha visto nenhum filme dos X-Men. A última semana contribuiu bastante para eu me atualizar e para conhecer um dos melhores personagens do cinema moderno. O Wolverine sem o Hugh Jackman não valerá nada.

     O filme começa em El Paso, no Texas, em 2029, e segue um velho, fraco e desgastado Logan que deve interromper o seu trabalho como motorista para salvar uma misteriosa mutante, numa era em que os mutantes que Logan conhecia se extinguiram.

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     O filme foi co-escrito e realizado pelo James Mangold, que volta ao mesmo cargo depois de The Wolverine, de 2013. Mais uma vez, ele e o Hugh Jackman sabem exatamente o que devem fazer aqui. O filme de 2013, mesmo não sendo espetacular, definiu aquilo que um filme solo do Wolverine deve ser: envolvente, sangrento e provocador. Depois do sucesso de Deadpool, cuja receita foi de 781 milhões de dólares, a Fox finalmente percebeu que os filmes rated R de super-heróis podem ser bons (respeitando a essência dos seus personagens) e fazer dinheiro ao mesmo tempo, uma coisa bastante rara nos dias de hoje, principalmente quando comparados aos filmes da Marvel dos estúdios Disney. Algo que a Disney provavelmente nunca irá fazer é um filme rated r. Finalmente o James Mangold pôde fazer o que quis, este é disparado o filme mais violento e um dos melhores da franchise inteira dos X-Men.

    Mais uma vez, o universo que o realizador desenvolve é aquele que o Wolverine precisava e merecia. As cenas de ação são extraordinárias, não são muitos os filmes que conseguem conduzir a história filosoficamente enquanto chocam o público, algumas pessoas habituadas ao estilo PG-13 dos filmes anteriores podem se desiludir, mas quem esperava um filme do Wolverine mesmo sangrento terá tudo aquilo que quiser: sangue, suor, decapitação e muita garra (literal e metaforicamente). É de referir também o ótimo trabalho de maquilhagem. Por vezes torna-se mais incómodo ver o Logan ferido do que assistir propriamente às batalhas e às mortes.

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     Há muitos elementos típicos do James Mangold, presente noutros filmes dele. Uma forte homenagem ao seu protagonista, um retrato humanamente digno do mesmo, um visual distópico (mérito da fotografia do John Mathieson) e uma escolha de músicas sensacional. A música “Hurt”, interpretada pelo Johnny Cash, pode nem aparecer no filme, mas foi a escolha perfeita para (no trailer) resumir o estado de espírito do protagonista. No fundo, Logan é um filme sobre mágoa, arrependimento, angústia e a infelicidade que se carrega às costas durante uma vida. A voz do próprio Johnny Cash não podia ser substituída.

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    O Hugh Jackman continua a ser a melhor coisa nos seus filmes solo, é um dos atores mais dedicados e brutalmente carismáticos da atualidade. É verdade que a (ótima) maquilhagem lhe ajuda bastante na sua performance, mas o que realmente teve peso aqui foi a sua presença. Foram 17 anos a interpretar este personagem e, num filme com este tom incomodamente triste, era impossível que o seu trabalho não se destacasse de tudo o resto. Ele convence perfeitamente como um homem cansado e engolido pela vida que teve, que apenas quer procurar um espaço para morrer numa circunstância que não lho permite. Que venha um Tom Hardy, um Michiel Huisman, um Jon Bernthal, ou um Ben Foster, o Hugh Jackman será sempre o Wolverine.

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     A Dafne Keen foi a derradeira surpresa do filme, aliás, este é o seu primeiro grande trabalho no cinema. A sua interpretação vai muito além de uma menina agressiva que passa o tempo a gritar e a fazer cara de má. A sua (bem construída) história de origem torna-a numa criança perturbada e arrepiante, especialmente nas cenas de ação, quando vemos o quão talentosa é ela. Sendo também de realçar a sua excelente química com o Hugh Jackman, o arco dos dois começa por ser engraçado e muito agitado, mas vai ficando progressivamente mais comovente e bonita quando a situação em que os dois se encontram evolui.

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     Eu fiquei sem palavras para descrever a performance do Patrick Stewart. Tal como o Hugh Jackman, este já interpreta o Charles Xavier há 17 anos, por isso o falhanço era praticamente impossível. Já não é o Professor X, é apenas um velho de 90 anos destroçado e incapacitado com poderes debilitadíssimos. É bastante triste observá-lo.

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     O ponto fraco do filme é o Boyd Holbrook. O problema não é do ator, ele é bom, já provou isso em Narcos. Ele pode não ser o principal antagonista, na verdade ele tem um carisma suficientemente temível, mas, para mim, ele é um William Stryker reinventado e apenas ligeiramente mais sádico. Ele pode nem comprometer muito o filme, mas são quase inexistentes os momentos surpreendentes dele, eu precisava de algo novo nesse aspeto.

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     Verdade seja dita, filmes de super-heróis, mesmo que maior parte sejam bons, já estão prestes a chegar ao seu limite. Cada vez mais estreiam uns atrás de outros, porém sem um estilo diferente, são poucos aqueles que podemos considerar realmente originais. James Mangold mostra aquilo que um bom filme de super-heróis deve ser, como é importante ir num caminho menos convencional.

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     Logan é um filme diferente, é filosófico, melancólico, violento, comovente e capaz de construir uma despedida digna ao Wolverine que conhecemos, uma despedida digna ao Hugh Jackman. Para além disso, mostra os novos e importante caminhos em que os universos dos super-heróis podem ser desenvolvidos no cinema, de uma maneira equilibradamente realista.

 

Nota: A

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