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Vida de um Cinéfilo

Gosto de filmes, e vou falar deles, e muito ...

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Vida de um Cinéfilo

10
Jun17

Pirates of the Caribbean: Dead Men Tell No Tales (Piratas das Caraíbas: Homens Mortos Não Contam Histórias, 2017) - Crítica


Francisco Quintas

     Eu adoro os Piratas das Caraíbas e adoro o Jack Sparrow, a sério, acho o uma das personagens mais originais e divertidas do cinema. É verdade que a franchise foi perdendo as suas virtudes. The Curse of the Black Pearl, de 2003, é sem dúvida o melhor, Dead Man’s Chest e At World’s End são mais ou menos, mas continuam divertidos, já On Stranger Tides é apenas horrível. Para tirar teimas, estas seriam as minhas notas para os filmes anteriores:

  • The Curse of the Black Pearl – B+
  • Dead Man’s Chest – B-
  • At World’s End – B-
  • On Stranger Tides – D+

      Será o quinto pior ou será que está ao mesmo nível do primeiro. Será esta a reforma de Jack Sparrow? Vamos ver.

     Desta vez, Jack Sparrow, acompanhado por uma nova equipa, decide procurar o Tridente de Poseidon enquanto foge do capitão espanhol Salazar, que persegue Jack em busca de vingança.

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     O filme é realizado pelos noruegueses Espen Sandberg e Joachim Rønning, a mesma dupla responsável pelo bom filme também norueguês Kon Tiki de 2012. Foi uma escolha acertada, primeiro porque ambos são bons com sequências de aventura e, segundo, porque depois de o Gore Verbinski realizar os primeiros 3, é compreensível que precisasse um descanso, porém escolher outra vez o Rob Marshall seria um erro muito lamentável. Verdade é que independentemente do realizador que se escolha, esta franchise terá sempre aquilo que propôs ao público: um universo único, sequências de ação bem feitas suportadas com efeitos visuais no mínimo eficientes e, sem esquecer, uma aventura frenética e divertida. Contudo as coisas que mais facilmente comprometem um filme (personagens, guião, arcos e história) devem ser tratadas com um cuidado maior, pois esses são os elementos que devem compor um bom filme. Aqui não houve esse problema. Yey!

     Para ser sincero, eu achava que este seria pior que o anterior, mesmo tendo uma esperança pequenina. Saí da sala de cinema mais que satisfeito e não posso parar de afirmar o quanto gostei desta sequela. É estranho dizer isto. Vamos por partes. O tema principal do Hans Zimmer continua presente e monumental, mesmo sendo acompanhado por outros novos bons temas do Geoff Zanelli. A fotografia continua colorida e escura ao mesmo tempo, funciona perfeitamente dentro daquele universo e consegue criar um ambiente simultaneamente acolhedor, convidativo, mas também tenebroso e por vezes sombrio.

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     Mesmo com todos os efeitos visuais que a Disney consegue oferecer, é inegável dizer que o filme tem substância para dar e vender. É verdade, há algumas cenas de ação absolutamente espetaculares e cheias de energia, todas orquestradas de maneira brilhante e algumas completamente diferentes de outra qualquer da franchise inteira. Mas desta vez temos bons personagens, nem todos são perfeitos claro, mas comparando aos seus antecessores, Dead Men Tell No Tales, para além de bom, é um grande alívio. Não compreendo o hate que o filme tem andado a receber, é extremamente underrated, parece que está na moda os ditos críticos rejeitarem séries como estas.

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     O elenco continua dedicado, é impossível não gostar destas figuras. O Johnny Depp convenceu-me mais neste filme do que no anterior. No quarto ele parecia mais cansado, era aqui que eu esperava vê-lo completamente entediado e sem energia. Foi precisa uma pausa enorme. Graças a ele, este filme foi mais engraçado do que eu estava à espera, há muito mais humor vindo dele. O Jack Sparrow sempre foi chico-esperto e malandro, mas a diferença está na vontade do Johnny Depp de querer estar aqui, eu acredito que ele não veio apenas buscar o cheque. Portanto, deve-se esperar um Jack Sparrow inspirado, empolgado, divertido, sabichão e no meio de montes de sarilhos.

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     O Javier Bardem é um dos melhores atores vivos e foi uma escolha que me deixou logo interessado. O Skyfall demonstrou-me a sua capacidade de ser um bom vilão, e que vilão. Claro que o Mr. Silva é anos-luz melhor que o Salazar, mas este não deixa de ser temível de imponente. Tanto o passado como o seu desenvolvimento posterior são críveis, e isso faz dele também carismático.

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     O Geoffrey Rush é também um dos melhores atores em atividade e mais uma vez ele está divertido e diverte. Eu já tinha saudades do Barbossa e gostei da adição de um arco mais emocional na vida pessoal do personagem, era altura de fazer mais qualquer coisa, sair do habitual.

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   O Brenton Thwaites cria um personagem muito normal muito terra-a-terra. Mesmo estando numa aventura grandiosa, convence como um jovem desastrado e, ao mesmo tempo, muito corajoso e determinado.

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     A Kaya Scodelario é boa atriz e tem a sua personalidade. Depois da Keira Knightley, cabe-lhe a ela ter o papel da figura feminina forte e desprezada pela sociedade que não “aprova a inteligência e independência” das mulheres naquele século, mesmo não estando ao nível da Elizabeth Swann e de estas serem bem diferentes. A personagem é boa e cativante, eu não a vi como a típica feminista chata, mas há mesmo ali um diálogo ou outro que podia ter sido excluído. À medida que o filme vai para além de metade e continua esse recurso, torna-se um nadinha cansativo.

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     Eu gostei muito da Golshifteh Farahani no filme Paterson do ano passado, mas ela aqui faz uma personagem vergonhosamente imitada. É uma cópia barata e mal feita da Tia Dalma, interpretada pela Naomie Harris nos primeiros filmes da série, e ela na altura mesmo tendo o seu carisma, tinha um sotaque horrível, por isso esta reciclagem não foi muito bem pensada, felizmente a personagem aparece pouco.

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      De resto temos Kevin McNally e Orlando Bloom com pequenas participações, ambos competentes, confortáveis e dedicados aos seus papéis.

     Como disse antes, as cenas de ação são extremamente boas e ao mais alto nível de aventura, talvez tendo o dobro do escapismo do primeiro filme. Houve apenas uma cena de perseguição que foi um pouco apressada e o espaço geográfico parecia muito pequeno, parecia um daqueles momentos The Walking Dead, em que eles percorrem a floresta, neste caso o oceano, em muito pouco tempo. Tem a sua piada, mas falta lógica ali algures. Felizmente, o último ato, especificamente a última cena, é consideravelmente o melhor e foi ótimo para tudo acabar, quem conhece este universo vai sentir uma satisfação enorme como nenhuma outra que já teve a ver estes filmes, foi uma conclusão muito boa. Vale a pena também ficar para ver a cena pós-créditos.

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     Pirates of the Caribbean: Dead Men Tell No Tales é uma boa sequela, e uma das poucas. É o melhor filme deste universo desde The Curse of the Black Pearl e um grande passo na direção certa para que o género de aventura no cinema volte a reviver os seus tempos de glória, afinal, é um género prestes a morrer e que quase não conseguimos ver nos dias de hoje.

 

Nota: B+

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