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Vida de um Cinéfilo

Gosto de filmes, e vou falar deles, e muito ...

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Vida de um Cinéfilo

10
Jul17

Rise of the Planet of the Apes (Planeta dos Macacos: A Origem, 2011) - Crítica


Francisco Quintas

     War for the Planet of the Apes está a chegar. Em outubro de 2016, o Andy Serkis confirmou que um quarto filme está a ser preparado. Por isso, mesmo que já não se possa chamar trilogia a esta franchise, esta é sem dúvida uma das melhores séries reboot de sempre. Quem diria que uma franchise de remakes/reboots podia ser tão boa?

     Uma substância destinada para curar o Alzheimer permite a um macaco evoluir intelectualmente num nível absurdo. Desta maneira, perante a violência e a injustiça contra os da sua espécie, o macaco decide liderar uma inevitável revolta.

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     O filme foi realizado pelo Rupert Wyatt. Este foi apenas o terceiro filme que ele realizou, mas, desde 2011, ainda não conseguiu ter um sucesso igualmente bom, o que é uma pena, visto que ele é um realizador com muito potencial. Em 2011, ele introduziu aquele que seria o impulsionador de uma das melhores franchises da década. O material é um repensamento do filme Planet of the Apes, de 1968 (que, na sua vez, fazia um forte comentário sobre a Guerra Fria) porém, como já disse neste blog, um dos objetivos dos remakes/reboots deve ser, na minha opinião, sempre expandir horizontes, desenvolver novos personagens e, se possível, desenvolver cometários relevantes.

     Trata-se de mais um filme sobre humanidade e a sua tentativa falhada dos humanos de controlar a natureza, sabendo que esta é mais forte do que eles. Os macacos lutam contra o controlo a violência excessiva praticada pelos humanos contra eles e originam uma das maiores revoltas fictícias do cinema.

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     Vamos começar por falar dos efeitos visuais. Uau! Eu sei que a trilogia The Lord of the Rings foi também um impulsionador do motion capture acting com o personagem Gollum (também interpretado pelo Andy Serkis) nos Anos 2000 (depois da evolução dos efeitos visuais nos Anos 90), mas provavelmente a década de 2010 permitiu a esta tecnologia explodir realmente e demonstrar a sua verdadeira importância e capacidade. Filmes como Warcraft e até mesmo Beauty and the Beast (ler crítica) são exemplos disso. É realmente um método extraordinário. Em 2011, o Andy Serkis disse, e passo a citar: “(…) it's really another way of capturing an actor's performance. That's all it is, digital make-up.”.

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     A fotografia do filme casa perfeitamente com a banda sonora e com os outros aspetos técnicos. Ambos esses dois elementos criam um ambiente de revolta e de uma possível guerra prestes a emergir num ambiente considerado pacífico e livre de problema. Os temas musicais dos macacos parecem marchas de guerra. O filme passa-se nos dias de hoje, por isso não era preciso um valor de produção tão grande.

     O elenco é totalmente elevado pelo Andy Serkis, sem ele o filme não seria tão bom, sem qualquer dúvida. Este papel era dele! Independentemente do ator que esteja junto dele, a presença é o fator essencial para que o filme fosse convincente. Usar motion capture e ser expressivo é uma tarefa extremamente difícil, por isso é que nem todos os atores aderem a este método. O Andy Serkis faz isso parecer fácil. Algo que prende a sua interpretação ao público é a sua capacidade de transmitir humanidade num personagem "animal" extremamente inspirador. Ele passa instantaneamente de um ser inocente e medroso para um líder grandioso, importante e, por vezes, necessariamente cruel. E o mais importante é que ele não é posto no lugar do antagonista, o bom da fita aqui é ele e todas as mudanças pelas quais passa, os atos que comete, moldam-no na figura icónica que ele se tornaria no futuro.

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     O James Franco não é o ator mais apelativo neste filme, mas ele convence como um cientista e parece mesmo preocupado com o seu macaco, como se este fosse um membro de família. Não é um dos melhores papéis do ator, mas ele não faz nada de mal. Ele é carismático, o público defende-o e quer vê-lo a ter sucesso, principalmente quando este quer cuidar do Alzheimer do pai.

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     O John Lithgow está fantástico como um doente de Alzheimer. O mínimo gesto ou diálogo dele são interpretados de maneira brilhante e, para além disso, ele dá pena, muita tristeza é transmitida quando este está nas suas maiores crises. O que foi muito triste foi definitivamente despedirmo-nos dele.

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    O David Oyelowo, já bastante cedo, começou a mostrar as suas capacidades de ator. Mesmo que esta performance já tenha sido feita mais do que uma vez, ele cria um homem ganancioso e odiável que prefere fazer os seus empregados correr riscos do que perder dinheiro. É um personagem previsível, mas não é mal feito.

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     Gostei também do Tom Felton. Alguns podem-se queixar de a sua performance ser um pouco over the top, mas eu acho que o filme precisava de um personagem assim. Era importante que a ignorância e a violência do humano fossem suficientemente cruéis para que os macacos começassem uma revolta. E quando o Caesar se levanta e grita “Não!” à frente dele … uau! A primeira vez que vi o filme, não fiquei surpreendido porque sabia que o macaco era extremamente inteligente, em vez disso, fiquei muito satisfeito, demonstrou que o Caesar finalmente se impôs e que se recusou a ser uma vítima. É um dos melhores momentos da franchise inteira.

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     Ainda assim houve personagens que eu não gostei. A Caroline, a namorada do James Franco, interpretada pela Freida Pinto, não me disse nada. Ela vê o Caesar a crescer durante cinco anos, os mesmos cinco anos de namoro com o Will e só se questiona sobre a sua origem quando o macaco também se questiona. Em cinco anos ela nunca teve interesse em perguntar nada ao Will? Só agora? Para além disso, ela é inútil. Ela foi veterinária do Caesar, porque é que não fez parte das experiências e dos testes do Will? Era uma boa maneira de evoluir a personagem, ela anda atrás do namorado constantemente e é completamente dispensável.

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     Assim como o vizinho do Will. As duas primeiras aparições dele são boas e importantes. À terceira vez, quando este encontra o Franklin contaminado, a sua presença era dispensável, bastava aparecer o Franklin à procura do Will a espirrar sangue. A sua cena a meio dos créditos pode não ser totalmente dispensável, mas é desinteressante.

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     Rise of the Planet of the Apes mostra exatamente como se deve fazer um blockbuster. É um filme para todos os gostos: para quem gosta de ficção cientifica, de ação, de um “simples” blockbuster, ou para aqueles (como eu) que gosta de ser desafiado e refletir sobre o significado de um filme. Nem acredito que este já foi feito há 6 anos.

 

Nota: B+

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