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Vida de um Cinéfilo

Gosto de filmes, e vou falar deles, e muito ...

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07
Jul17

Spider-Man: Homecoming (Homem-Aranha: Regresso a Casa, 2017) - Crítica


Francisco Quintas

   Como já disse antes, os sites americanos são uns oficiais engraxadores dos filmes de super-heróis recentes. Plataformas como Rotten Tomatoes ou IMDB adoram sobrevalorizar filmes que não são necessariamente tão espetaculares assim. Ainda não vi o Logan, o GOTG Vol. 2, nem o Wonder Woman, e tenho evitado ver trailers já há muito tempo. Mas … será Spider-Man: Homecoming um filme digno para apresentar mais uma vez o aranhiço ao público?

   Meses após os acontecimentos em Captain America: Civil War, Peter Parker tenta equilibrar sua vida como estudante ordinário de Queens, enquanto luta contra o crime disfarçado de Spider-Man.

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     Que filme fixe! Posso não parecer muito profissional ao usar esta palavra, mas este filme foi fixe, muito fixe.

    O filme foi realizado e co-escrito pelo Jon Watts. Esta é apenas a sua terceira longa-metragem, anteriormente ele realizou um filme de terror independente chamado Clown e um filme com o Kevin Bacon chamado Cop Car. Não vi nenhum deles, mas admito que fiquei bastante interessado. Algo que ele fez de diferente e que eu gostei muito foi a abordagem mais minimalista que fez com o protagonista. Primeiro, ele tinha de esclarecer uma coisa. O público já conhece a história do Homem-Aranha. O Sam Raimi iniciou uma boa história de origem em 2002, embora que em 2012, apareceu, digamos, um remake pobre. Desta vez, o Peter Parker não precisa de ser apresentado. Ele já é o Homem-Aranha que todos conhecemos, o Tio Ben já não precisa de ser mencionado e, desde o Captain America: Civil War, o personagem demonstra uma enorme ambição em se tornar um Avenger. É bom ver que ainda há realizadores que confiam no público e que não enchem os seus filmes com diálogos justificativos ou expositivos.

     Segundo, depois das primeiras versões deste personagem, que eram bem mais dramáticas, o tom é mais leve. O humor é bem Marvel, especialmente quando se tem um protagonista tão carismático e divertido como este e, claro, há uma atmosfera consequente muito mais acolhedora desta vez.

     O que o Jon Watts fez muito bem foi usar takes mais longos em cenas casuais e mesmo em algumas de ação, ao contrário dos restantes filmes da Marvel. Com certeza, não é uma realização completamente distinta, aliás, depressa percebemos que estamos a ver um produto da Marvel, mas eu gostei de algumas mudanças que foram tomadas. Tanto tecnicamente como em relação à história. A banda sonora tem uma seleção de músicas muito boa, nota-se que é um filme para jovens que gostam destes personagens, mas também para pessoal mais velho que conhece o Homem-Aranha já há muitos anos.

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     Por falar na ação, é um filme mais minimalista que os anteriores do MCU. Há CGI e explosões, como era de esperar, mas é algo em menor escala do que em The Avengers. A fotografia é bem habitual, é bonita, é bem azul, a cidade, inclusive a Avengers Tower, fica bem realçada, mas já vimos isto antes, não é muito distinta das restantes da Marvel. Ok, deixemo-nos disto, eu quero falar do elenco!

     O Tom Holland está espetacular aqui! Ele é disparado ambos o Spider-Man e o Peter Parker mais cartoonescos do cinema. Com isto, não quero dizer que é a melhor versão já feita. Ele está ótimo? Está, sem dúvida. Ele é tudo o que os comic fans vão querer ver. Ele é engraçado, ágil, bem-disposto, despreocupado e, às vezes, acelerado demais. A minha versão favorita continua a ser a do Tobey Maguire. Foi uma abordagem mais dramática e que desiludiu muita gente, mas eu não sou um comic lover, por isso não era a versão “tradicional” que me interessava. Agora, o Tom Holland merece muitas palmas.

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     Só quem viu (e adorou) o Birdman, de 2014, sabe o quão interessante é ver o Michael Keaton vestido de pássaro a fazer “coisas”. Aliás, é uma performance excelente e que servirá como uma chapada de luva branca àquelas pessoas que dizem que o único bom vilão da Marvel é o Loki. O Vulture é um ótimo antagonista, principalmente graças à sua motivação, que foi diferente e inesperada. Talvez o Vulture não esteja ao mesmo nível do Loki, o que era difícil, mas há um carisma inegável e uma presença arrebatadora. É um daqueles vilões que adoramos odiar, os meus olhos não saíram dele.

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     O Ned, interpretado pelo Jacob Batalon, é um dos personagens mais engraçados da Marvel até hoje! As reações dele são impagáveis e o melhor humor do filme veio dele. Ele o Tom Holland têm uma química excelente e ambos convencem perfeitamente como dois estudantes extremamente inteligentes e até um pouco geeks, talvez mais o Ned do que o Peter.

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     A Marisa Tomei é uma boa atriz. Ela é querida, simpática e convidativa, mas é uma Tia May com potencial desperdiçado. Era oportunidade de mostrar uma May mais moderna e jovem, mas ela aparece muito pouco, tendo apenas uma boa cena. No tempo restante, apenas é representada como uma cinquentona jeitosa, o que não é mau, mas não serve de nada.

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     A Zendaya surpreendeu-me muito pela positiva. Eu já gostava de a ver em Shake It Up! quando era pequeno, mas não a esperava ver tão bem aqui. É uma personagem interessante e muito engraçada. A sua ironia e desprezo pelos outros divertiu-me bastante. E mesmo que a personagem Michelle tenha sido reservada para uma futura sequela, deixou-me uma enorme vontade de ver mais, por um bom motivo.

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     O Robert Downey Jr., a Gwyneth Paltrow e o Jon Favreau voltam a interpretar os seus papéis do MCU. Eles continuam ótimos, mas não fazem muita coisa, o que é normal e apropriado, visto que não precisavam.

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     Agora eu não gostei da Laura Harrier nem do Tony Revolori. São personagens genéricos e aborrecidos. A personagem Liz é uma “socialona” gira da escola sem graça, mas, pelo menos, tem um propósito. Agora é uma pena ver o Tony Revolori tão desaproveitado depois do seu papelão em The Grand Budapest Hotel, de 2014. O Flash Thompson da vez, para além de ser desinteressante, ainda teve um “arco” por resolver. Parece que a sua “briguinha” com o Peter Parker ficou em águas de bacalhau.

     A cena a meio dos créditos é ok, mas a última é … fenomenal! É muito simples, algumas pessoas não vão achar graça nenhuma, mas a piada está na sua intenção. É provavelmente a melhor cena pós-créditos que a Marvel alguma vez fez.

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     O meu filme preferido continua a ser Spider-Man 2, de 2004. Mas se Spider-Man: Homecoming não estiver ao mesmo nível do primeiro Spider-Man, de 2002 … ele está perto. É um rumo mais que eficiente para conduzir o personagem na sua nova jornada, num novo universo.

 

Nota: B+

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