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Vida de um Cinéfilo

Gosto de filmes, e vou falar deles, e muito ...

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06
Jul17

The Boss Baby (2017) - Crítica


Francisco Quintas

     Mais uma vez temos um filme injustamente desprezado pelos “críticos”. Tudo bem que isto das críticas é tudo muito subjetivo, mas é preciso ter senso comum. Há filmes que não precisam de ser levados a sério, isso compromete tudo.

     Baseado no livro infantil The Boss Baby de 2010 escrito pela Marla Frazee, o filme conta a história de Tim, um rapaz de 7 anos que, juntamente com o irmão recém-nascido estranhamente inteligente, decide planear uma missão para impedir que o amor dado aos bebés se extinga para sempre.

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     Não liguem muito à trama. Lida desta maneira não faz sentido algum. Mais uma vez a Dreamworks dá-nos uma animação non-sense e familiar, mas não é esse o meu foco. A realização é do Tom McGrath, responsável pelo hilariante Megamind e pela trilogia Madagascar. Ambos estes filmes fizeram a minha infância, por isso eu tinha de ver o último trabalho deste realizador, mesmo que reviver a minha infância fosse um bocado difícil. Ou talvez não. Como eu já disse, este filme não é para ser levado a sério, de maneira nenhuma. Agora, se tu que estás a ler isto, foste uma criança feliz, que brincava sozinha, que imaginava muito, se tiveste irmãos, se tiveste perguntas … este filme vai te satisfazer, embora que já tenhamos maior parte das respostas que queríamos. Se é que me faço entender.

     O estilo de animação não é dos mais impressionantes da Dreamworks, parece que desta vez eles optaram por um visual mais minimalista, menos elaborado. Na verdade, não impressiona, mas algumas cenas frenéticas de ação cheias de cor e com uma edição mais que eficiente permitiram que esse facto fosse facilmente superado. Há cenas bem divertidas e criativas, especialmente quando o personagem Tim está no seu mundinho de criança em que imagina tudo o que for possível e mais além. Essas cenas são divertidas e qualquer um que brincou (com brinquedos, não com iPads), facilmente vai se identificar.

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     O filme é bastante engraçado, mais do que eu esperava, e essa surpresa proveio do humor adulto do filme. Por exemplo, tal como em Shrek, mas não igualmente bom, há muitas piadas que apenas o pessoal mais velho vai perceber. Mas claro, há muito humor non-sense, bronco e apenas espontâneo (para além de piadas sobre cocó) que as crianças vão adorar. Porém, houve certas piadas que caíram para a infantilidade e são um pouco cringe, aí o humor cai bastante.

     Algo que o Tom McGrath faz muito bem é achar o tom certo de um filme, especialmente numa animação, que pode, por vezes, se tornar difícil. Aqui, o tom fica definido, é um filme para miúdos e graúdos, mas houve momentos demasiado chorões e sentimentalistas. Há certas ocasiões que não pediam ao personagem X para chorar ou para reclamar de maneira excessiva. Eu percebo o que o filme queria fazer, mas houve cenas exageradas.

     Aí e quando o Boss Baby decide reunir a sua “equipa de trabalho”. Eu apenas me ri com uma personagem, com o Jimbo, o bebé gordo. De resto, a team não faz grande coisa e, mesmo oferecendo algumas gargalhadas, não contribui muito para avançar com a história.

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     O Tobey Maguire é um bom narrador, não chega a ser uma voz inconfundível, mas nota-se imediatamente a sua capacidade de virar jovem e acolhedor. Interpretar o Spider-Man já com 27 anos é prova disso. O ator tem hoje 42 anos e tem cara de bebé na mesma.

     O Alec Baldwin foi a escolha perfeita para este papel. A arrogância, a ironia, a altivez, a insegurança e aquela voz de snob e de gentleman. Era tudo o que o personagem precisava de ser, sem parecer uma imitação barata do Stewie. Isso e o comportamento de um bebé autêntico. É muito engraçado quando o bebé está numa “reunião” e do nada faz uma sesta. Eu gosto muito do Fernando Luís, mas Alec Baldwin is the Man!

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     Eu gostei muito do Miles Bakshi. Ele é destemido, aventureiro, alegre, agitado e muito precipitado, como qualquer criança costuma ser, não é? Ele tem uma imaginação enorme, daí eu rapidamente me identificar com ele. No que diz respeito a brincadeira, eu era igual a ele.

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   O Jimmy Kimmel e a Lisa Kudrow dão voz aos pais, mas podiam ter a voz de quaisquer atores. Eles são importantes, são personagens fácies de gostar, mas não têm muito desenvolvimento. Não que isso seja mau, aliás, eu não queria ver uma história de origem dos pais, mas, outra vez, não nos importamos assim tanto com eles, principalmente quando a nossa atenção nunca sai dos personagens principais.

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   O Steve Buscemi dá uma ótima dose de insanidade cartoonesca ao seu personagem e resulta. É um ator inegavelmente carismático e ele sabe carregar a sua trama muito bem, especialmente quando aparecem certas cenas, momentos que só ele podia interpretar.

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     Eu adorei o personagem Eugene, não pela voz, ele nem fala muito, mas sim pela sua postura. Ele é hilariante, bronco e completamente troll. Eu adoro trolls em filmes de animação. Confesso que é já um gosto pessoal antigo, não são todos os que gostam de personagens assim. Eu ri muito com as suas expressões e com os seus grunhidos.

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     Por outro lado, uma coisa que não fez muito sentido foi o Boss Baby estar sempre de fato e gravata. Claro que serve como um propósito mais ambíguo, mas para o bem do filme e da sua própria teoria (bastante óbvia na verdade), era melhor de vez em quando ele aparecer mesmo só com uma t-shirt de bebé, ou até mesmo com um babygrow, porque não?

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     The Boss Baby pode não ser uma das melhores animações do ano, mas é uma boa metáfora, é inteligente, divertido, engraçado e oferece um eficiente comentário sobre família e a importância da amizade entre irmãos.

 

Nota: B

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