Saltar para: Post [1], Pesquisa e Arquivos [2]

Vida de um Cinéfilo

Gosto de filmes, e vou falar deles, e muito ...

Gosto de filmes, e vou falar deles, e muito ...

Vida de um Cinéfilo

09
Jul17

The Great Wall (A Grande Muralha, 2016) - Crítica


Francisco Quintas

     É tramado quando acho que não preciso de fazer mais reviews de 2016 e aparece um filme da China que apenas estreou em 2017 na América e em Portugal. Vou é tirar este da lista e acabar com isto … mesmo este filme não valer a pena.

     Dois mercenários europeus em busca de pólvora negra são aprisionados na Grande Muralha da China durante a Dinastia Song e acabam por defenda-la de uma horda de monstros que a invadem.

the-great-wall-2016-movie-sd.jpg

     Trata-se de uma mega produção sino-americana realizada pelo chinês Yimou Zhang. Eu não o conhecia, para ser sincero. Depois de uma pequena pesquisa, reparei que é um realizador já experiente e bastante aclamado. Vou tentar ver algum trabalho dele, pois The Great Wall não me deixou lá muito surpreendido.

     O filme é baseado em várias lendas chinesas sobre batalhas do exército chinês contra criaturas monstruosas que atacavam a Grande Muralha da China durante a mesma época histórica em que o filme decorre. São histórias interessantes, não acham? Ainda que estas lendas prendam a atenção do público, o resto do filme é um storytelling básico e sem muita chama. Não chega a ser um filme horroroso, mas com um orçamento de 150 milhões de dólares, era possível fazer-se uma história muito mais interessante do que esta.

     Ainda assim, o filme funciona minimamente como um blockbuster. O valor de entretenimento é constante, há um ou dois bons momentos de tensão e a ação, para um público mais casual, vai ser satisfatória. Agora, pelos padrões respeitáveis de um blockbuster, The Great Wall deixa muito a desejar. A começar pelos aspetos técnicos.

     O CGI do filme começou bem. Os monstros (os chamados Tao Tei), no princípio funcionam, nós sabemos que aquelas imagens são efeitos visuais, mas não chegam a incomodar. Mas isto quando os monstros interagem entre si. Agora quando eles se atiram contra os humanos e interagem com eles e com as correntes, com as espadas, com as flechas e tudo mais, o CGI vira um espetáculo visual mal feito e mais notável que os javalis em The Legend of Tarzan, de 2016. O mesmo pode-se dizer da sequência de abertura. Os créditos iniciais são introduzidos no meio de supostos “planos aéreos” da própria Muralha. Mesmo que fossem CGI, podiam ser bons, há casos em que isso acontece, só que aqui aquela sequência mais parece uma abertura de um jogo mal feito para a PS2.

TheGreatWall07.jpg

     E a fotografia é a mesma coisa. Quando os personagens conversam, as paisagens daquela gigantesca muralha são bonitas, o céu é vistoso. Agora, nas cenas de ação, a fotografia contribui para o lado enjoativo do filme. O cenário até é sujo e escuro, mas depressa vira um cenário de videojogo outra vez. O filme usa bastante green screen e, até certo ponto, isso torna-se tolerável, mas mais lá para o ato final, ele torna-se bastante notável. É pena que as produções chinesas tenham caído tanto desta vez.

     O que salva o visual do filme é o fantástico guarda-roupa e as armas do exército. Graças a esse valor de produção, o filme convence perfeitamente como uma ficção histórica.

the-great-wall-106400.jpg

     Um elemento que também gostei foi a banda sonora. Há alguns instrumentos de sopro e muita percussão à mistura. Principalmente aqueles tambores de guerra que são sempre cativantes.

    O elenco (uma pequena parte dele) é esforçado, mas foi muito difícil gostar do filme apenas dando atenção às performances. O Matt Damon está carismático como sempre e tem muita presença enquanto a boa estrela de ação que é. O personagem dele é perspicaz, generoso e mais lúcido do que os habituais papéis do ator. Ele carrega a ação às costas muito facilmente e é graças a ele que o filme se torna interessante. Porém a sua performance foi um pouco estragada quando o personagem toma uma decisão no ato final oposta àquela que devia tomar consequente das ações que sofreu.

GreatWall_01.jpg

     O Pedro Pascal não está tão bem como o Matt Damon, o que já era difícil, por isso devo dar-lhe um desconto, visto que ele se esforça. Eles funcionam bem como uma dupla de mercenários e convencem rapidamente como dois homens duros que se querem defender.

GreatWall_02.jpg

     Eu gostei do Willem Dafoe. O ator tem feito cada vez mais papéis que não o deixam ter uma participação digna do seu talento, mas desta vez foi uma exceção. Ele é um ocidental preso na Muralha há 25 anos e transmite muito bem a sua vontade de fugir daquele sítio o mais depressa possível. A sua sub-trama era uma das mais interessantes.

The-Great-Wall-Character-Posters-11.jpg

     A Tian Jing é convidativa e tem uma presença simpática, mas ela não convence como uma comandante de um exército daquele tamanho. Falta-lhe transmitir mais liderança e admiração e assumir uma postura mais séria, mais sólida. Há um subtexto muito desinteressante sobre confiança que a envolve juntamente com o Matt Damon que caiu um pouco para uma filosofia pobre. A química entre eles é minimamente boa, mas os diálogos são muito maus.

The-Great-Wall-Character-Posters-10.jpg

     Inclusive, há outra sub-trama de um soldado chinês com o Matt Damon muito artificial e desnecessária. O soldado considera-se fraco e medroso e o Matt Damon tenta encoraja-lo … é basicamente isso.

bb17dbce-ccc8-11e6-96db-a1eec4097f76_1280x720.jpg

     The Great Wall tem uma criação de mundo muito boa e um valor de entretenimento satisfatório. Mas no que diz respeito aos diálogos e ao desenvolvimento da própria história, o filme dececiona e larga aquilo que podia ser o material de um bom blockbuster.

 

Nota: C-