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Vida de um Cinéfilo

Gosto de filmes, e vou falar deles, e muito ...

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28
Jun17

The LEGO Batman Movie (Lego Batman: O Filme, 2017) - Crítica


Francisco Quintas

     The LEGO Movie, de 2014, foi um dos filmes mais injustiçados nos Óscares. Para além de ser uma das animações mais originais do ano (e de nem ter sido nomeado), ainda nem o Óscar de Melhor Canção Original ganhou, sendo este o único prémio para o qual foi nomeado. Começo a achar que a Academia tem mesmo um problema. Será The LEGO Batman Movie igualmente bom? Vamos ver.

     Desta vez é-nos apresentado um Batman bem mais narcisista do que o costume, embora também muito solitário. Agora, ele deve aprender a trabalhar em equipa para derrotar o Joker de maneira a salvar Gotham mais uma vez.

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     A realização desta vez foi do Chris McKay, que foi supervisor de animação em The LEGO Movie. O guião e a história são mais uma vez da dupla Phil Lord e Christopher Miller. A meu ver, foram boas escolhas, o Chris McKay é realizador de televisão e o seu melhor trabalho é Robot Chicken: Star Wars Episode III, que é muito bom! Mesmo assim, não é uma realização com muita alma. É bastante competente, o filme é bom, mas parece que ele ficou o tempo inteiro atrás da realização do Phil Lord e do Christopher Miller. Sendo este o mesmo universo e alguns dos mesmos personagens, eu percebo que era difícil se distanciar muito do primeiro filme. Ele até se distancia, mas já vamos lá.

     O ponto mais forte do filme é o conjunto das cenas de ação e as cenas musicais típicas de animações. É um filme cheio de cor, cheio de energia e cheio de boa disposição. É também muito engraçado, o filme dá-nos uma piada atrás da outra e não para … não para mesmo! É um humor semelhante a Robot Chicken, é verdade, mas isso é bom. Começou imediatamente nos créditos inicias e é um humor que requer algum conhecimento do universo Batman, tanto do cinema como dos próprios comics. Tal como em Deadpool, por exemplo, há humor non-sense, humor referencial da cultura popular e, claro, um humor familiar, este filme vai agradar a toda a gente quase sem dúvida. Devido às inúmeras referências, é um filme de animação virado para adultos que gostam do Batman, mas sendo uma animação e tendo ação explosiva, as crianças também vão ter um prato cheio.

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     Porém, isso não quer dizer que o filme rejeita momentos mais sensíveis. Por vezes, vemos o lado mais pessoal e até ridículo do Batman, bem como a sua maneira de lidar com a solidão e com a necessidade de uma família e de amigos. Eu gostei de maior parte desses momentos, alguns são bem comoventes até. Mas alguns diálogos caíram para a infantilidade e para o sentimentalismo forçado, não resultou tão bem.

     Falando no Batman, o elenco é impecável! Por favor, não assistam a este filme no idioma nacional. Os nossos dobradores são bons, mas o filme não é português. Há dezenas de trabalhos de voice-acting que apenas funcionarão para quem entender as referências. Eu entendi maior parte delas, por isso, diverti-me.

     O Will Arnett não é o melhor Batman da história, mas é um dos melhores que já interpretou o personagem apenas com a voz. Ele acha um equilíbrio muito claro entre a rigidez do Cavaleiro das Trevas e a sensibilidade escondida do Bruce Wayne. Logo em The LEGO Movie deu vontade de ver um filme solo. Ainda bem que o Will Arnett não desiludiu.

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    O Rosario Dawson foi uma escolha acertada para a Barbara Gordon. Por acaso, ela é mais uma Barbara Gordon do que uma Batgirl. Ela é perspicaz, altiva e sabe lutar tão bem como o Batman. Instala-se um clima forte entre dois e as faíscas são grandes. Os atores têm bastante química. Houve apenas uma coisa que me incomodou. Mais para o final, ela reage de uma maneira esquisita. Ela conhece uma personagem há coisa de 5 minutos e chora por ele quando há um maior momento de tensão. Não vou dizer o que acontece, mas foi ilógico.

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   O Michael Cera está hilariante como o Robin! O próprio ator tem a personalidade ideal para conduzir um personagem como este. A vulnerabilidade, a admiração pelo Batman e o fascínio pela sua nova vida e jornada, são todas emoções muito bem passadas. No entanto, a burrice dele foi exagerada. Há um detalhe que ele não se apercebe durante toda a história e achei isso um pouco ridículo. Ninguém é assim tão cego.

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     O Ralph Fiennes foi definitivamente a escolha perfeita para o Alfred! Acho que não vou conseguir pensar num ator de voz melhor para esse personagem nos próximos anos. Não havia que enganar, o Ralph Fiennes era o ator certo.

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    E o Zach Galifianakis até pode não ser o primeiro ator que nos vem à cabeça quando se fala no Joker, mas mesmo assim é inegável dizer que ele fez um ótimo trabalho. Não é tão descontrolado ou carismático como o Mark Hamill, mas, quem é?

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     Eu falei antes que o filme foi, por vezes, um pouco ilógico. Eu adoro humor non-sense, é um dos que mais me faz rir, mas houve coisas que não deviam ter mesmo acontecido. Por exemplo, uma vez o Batman vem disparado de um sítio e faz uma “ferramenta” em 30 segundos. Não faz sentido, uma coisa daquela nunca podia ter sido feita naquele instante. Eu gosto de lógica. Felizmente, algo tão absurdo como aquilo não voltou a acontecer.

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   The LEGO Batman Movie é divertido, engraçado, enérgico, lindamente animado e conta com músicas espetaculares! Tem algumas coisas que não o permitiram ser perfeito, mas enquanto fizer rir o seu público, é uma excelente comédia.

 

Nota: B

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