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Vida de um Cinéfilo

Vida de um Cinéfilo

The Mummy (A Múmia, 2017) - Crítica

     Estava na dúvida se via este filme. Nunca vi nenhum filme sobre monstros clássicos, por isso sou totalmente inculto sobre esse género. Mas porque não? O Tom Cruise está cá.

     Um grupo de arqueólogos descobre um túmulo escondido de uma princesa do Egito mumificada que, uma vez acordada, quer destruir o mundo.

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   The Mummy é o primeiro filme de um novo universo cinematográfico desenvolvido pela Universal Pictures chamado Dark Universe. Trata-se de um novo rumo para personagens clássicos como o Corcunda de Notre Dame e o Monstro de Frankenstein. Remakes são somente bem-vindos se forem justificáveis. Há imensas coisas que o cinema atual consegue criar que o cinema dos Anos 30 e 40 não conseguia. Mas se filmes como The Mummy continuarem a aparecer, depois da outra péssima trilogia, o cinema blockbuster será ainda pior do que já é.

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     A realização foi do Alex Kurtzman, aliás, esta é apenas a sua segunda longa-metragem. Apesar de já ter escrito muitos blockbusters, há que reconhecer que ainda tem muito a aprender como realizador. Ele tem uma mão surpreendentemente boa para orquestrar cenas de ação, aliás, algumas cenas de ação são divertidas e suficientemente enérgicas para funcionarem. As perseguições e os pequenos confrontos são bem feitos e a edição podia ser bem pior, tendo em conta os padrões de um blockbuster como este.

     O facto pelo qual The Mummy foi “esmagado” pela crítica e pelo público no geral foi a sua falta de originalidade. Ao tentar desenvolver um novo universo, a Universal revela um certo desespero. Nestes anos, em que filmes da Marvel e da DC dominam o mercado, é compreensível que os outros estúdios queira faturar com um método de storytelling semelhante. Ainda assim, o caso não deixa de ser lamentável.

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     Felizmente, nem tudo é mau. A música surpreendeu-me. É mais rítmica e memorável do que maior parte das bandas sonoras dos blockbusters atuais. Curioso é que o Brian Tyler já trabalhou muito nos universos da Marvel e do Fast & Furious. Parece que quis fazer algo diferente. A música acabou por se adaptar bastante bem à aventura.

     Porém, quanto a diálogos, CGI e personagens. O filme deixa muito a desejar. O guião é fraco, há um excesso de exposição quase interminável, incluindo muitas frases artificiais, principalmente durante as cenas de descoberta e revelação. Parece que desenvolver uma história apenas com sucessões de imagens é algo raro hoje em dia. Em vez disso, recebemos narrações cansativas e flashbacks infinitos. O filme até usa algumas imagens para revelar a origem da Múmia, mas há um excesso de flashbacks e sequências e sonho. Toda aquela exposição volta a aparecer e torna-se chato e repetitivo. O ato final, se não é mau, ao menos consegue manter o interesse no futuro do novo universo. Não é comparável a nenhum filme da Marvel, mas não houve desrespeito pelo próprio propósito.

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     O CGI varia entre funcional e péssimo/foleiro/notável. Durante as primeiras cenas de “renascimento” da Múmia, em que esta dá literalmente vida a esqueletos, torna-se até risível olhar para eles. As interações dos personagens humanos com os esqueletos e todas as outras manifestações malvadas são mal trabalhadas. Apenas as pequenas passam despercebidas.

     O Tom Cruise interpreta uma versão dele próprio, mas não há problema. Nesta altura, já nos habituámos a ver o Tom Cruise como um homem normal visto numa situação diferente e perigosa. Só em filmes (recentes) como Edge of Tomorrow podemos ver um desenvolvimento mais elaborado. Aqui, ele é aventureiro, carismático e relacionável, nada mais.

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     A Annabelle Wallis está péssima. Constantemente vemos uma atriz com o texto decorado sem sequer saber o significado das palavras complexas que diz. É uma damsel in distress vazia e desinteressante, culpa da atriz inexpressiva e sem carisma algum. O realizador tenta até criar um pseudo-romance entre ela e o Tom Cruise que nunca leva a lado nenhum. É algo demasiado forçado e apressado.

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     Já o Jake Johnson tem uma presença engraçada e tinha um enorme potencial. Infelizmente este é desviado para um rumo completamente desnecessário que dificultou o investimento nele. Era possível criar um buddie movie com o Tom Cruise mas, em vez disso, o personagem é desperdiçado.

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     A Sofia Boutella fez aquilo que devia. A oferta aqui é exatamente aquilo que se espera. A personagem não é tão profunda quanto podia, mas a atriz é competente e consegue ter uma presença ameaçadora. Não é nada demais, mas é um trabalho minimamente funcional.

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     O Russel Crowe, se não empurra a história para a frente, ao menos torna-a mais interessante quando aparece. Também é um personagem pouco desenvolvido, mas o ator é excelente, a atenção do espectador fica nele de imediato.

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     A fotografia do Ben Seresin (que trabalhou em World War Z) é boa e funciona. É poluída, suja, ora acastanhada, ora acinzentada. Funciona, apenas funciona.

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     Se todo o guião fosse reescrito, era possível que The Mummy fosse bom. Existe potencial. Infelizmente, nem a parte boa do elenco salva esta obra medíocre. Não chega a ser horrendo como já disseram, não é um filme ofensivo, há o mínimo de divertimento. Mas há coisas melhores que se podem fazer com duas horas.

 

Nota: C-

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