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Vida de um Cinéfilo

Gosto de filmes, e vou falar deles, e muito ...

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Vida de um Cinéfilo

09
Set17

The Zookeeper's Wife (O Jardim da Esperança, 2017) - Crítica


Francisco Quintas

     No que diz respeito a traduzir títulos estrangeiros, Portugal safa-se melhor que o Brasil. Esta foi uma inesperada exceção. No Brasil, este filme virou O Zoológico de Varsóvia. Em Portugal, O Jardim da Esperança. Enfim …

    Baseado no livro homónimo de não-ficção escrito por Diane Ackerman, publicado em 2007, o filme conta a história do casal de zoólogos Jan e Antonina Żabiński que, em 1939, durante plena invasão alemã na Polónia, decidiu ajudar e esconder judeus na sua cave.

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   O filme foi realizado pela neozelandesa Niki Caro, cuja filmografia eu desconheço completamente. Este foi um dos variados filmes deste ano que apenas não me deram uma vibe suficientemente boa para escrever sobre eles. Muitas outras críticas foram dispensadas, como The Dark Tower, The Hitman’s Bodyguard e Wakefield. Eu estava mais ou menos à espera deste filme, tanto pela história como pelo elenco. O que vi não passou de um drama de guerra pouco profundo e pouco corajoso.

     No que diz respeito a movimento de câmara, diálogos e ritmo, a realizadora mais parece uma fazendeira de televisão de um canal de história. Não há uma identidade, não há praticamente nada que me faça lembrar dela no futuro, o que é bem dececionante quando se tem uma história com tanto potencial. Ainda assim, há muito que se apreciar. A fotografia do Andrij Parekh (que trabalhou em Blue Valentine) começa por ser composta por cores vivas, durante o período “alegre”, e durante a invasão alemã, torna-se embaciada e pinta uma Varsóvia triste com tons mortos acastanhados. E esta, quando casada com o ótimo guarda-roupa, recria a década de 40 na perfeição. Já a banda sonora é completamente esquecível.

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     Algo que chateia em biopics americanas passadas noutros países é o facto de o idioma nunca estar definido. Falar inglês com um ligeiro sotaque polaco? Tudo bem. Agora, soltar de vez em quando palavras de uma língua estrangeira é foleiro. Ainda por mais quando os polacos falam inglês entre si e os alemães falam alemão. O filme seria muito melhor se fosse polaco e não americano.

     Há muitas coisas que a realizadora precisa de ter em atenção. A impressão que dá é que esta leu o guião à pressa. Há diálogos que tentam ser poéticos, mas acabam por ser superficiais e, por vezes, risíveis. Por outro lado, o guião consegue escrever certos momentos de tensão que acabam por resultar. Alguns rostos de judeus começam a ganhar importância e todas as vezes que estes saem do esconderijo, há sempre uma inquietação e dúvida no ar devido àquela sensação de que tudo pode correr mal. É um guião com altos e baixos.

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     Uma das muitas ofertas aqui é o triângulo amoroso formado pelo casal central e pelo zoólogo alemão. Filmes sobre judeus escondidos já foram feitos vezes sem conta. Eu estava verdadeiramente interessado no triângulo amoroso, era a oportunidade de fazer algo diferente. Ainda assim, tudo parece um arco de uma comédia romântica levada para um drama de guerra. Os atores são dedicados, mas o desenvolvimento da sub-plot nunca me satisfez o suficiente, provavelmente devido ao facto de a realizadora também não saber o que fazer com ele. Tudo se resume em olhares, conversas e discussões mesquinhas, das quais apenas uma delas é impactante.

     A Jessica Chastain salva o filme, parece que esta se está a tornar numa das minhas atrizes preferidas. Pode parecer o contrário, mas é uma interpretação bem diferente do histórico dessa atriz. Houve momentos em que a performance me parecia demasiado familiar e afetada, contudo rapidamente me apercebi que toda aquela parvoíce e ingenuidade da personagem fazia parte do seu desenvolvimento. É, de facto, uma mulher aparvalhada, inocente, psicologicamente desequilibrada e, ainda assim, sofrida. Mérito da atriz! E algo muito verdadeiro que ela consegue transmitir é o seu amor e carinho tanto pelas pessoas como pelos animais, gerando momentos bastante ternurentos.

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     O Johan Heldenbergh foi uma surpresa. Eu estava à espera que o marido da protagonista fosse completamente subutilizado e esquecido. Ainda assim, ele revela-se um personagem muito mais importante do que parece, graças ao processo pelo qual o personagem é obrigado a passar.

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     O Daniel Brühl é um bom ator, mas o personagem foi claramente reduzido àquele estereótipo fácil do alemão forçado a se tornar nazi, que eventualmente não consegue cumprir as ordens porque não é um alemão malvado. De certa maneira, o personagem é odiável, há atitudes às quais e senti repúdio por ele. No entanto, essas atitudes são repentinas demais, o seu conflito interno não recebe o tratamento profundo que merecia. Eu estava muito mais interessado nele do que nos judeus. Todos nós sabemos que, em filmes como este, os judeus safam-se no fim da história.

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     Quanto aos judeus, não há muito para comentar, há crianças perturbadas e adultos desesperados pelos filhos. Como já disse, há algumas caras que ganham protagonismo, mas nada mais é explorado, o que foi uma decisão correta.

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     The Zookeeper’s Wife deve satisfazer a quem quer ver um drama de guerra e aumentar a sua cultura sobre a 2ª Guerra Mundial. As performances centrais são boas, os aspetos técnicos são impressionantes, mas o filme, mesmo não sendo mau, é esquecível.

 

Nota: B-

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