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Vida de um Cinéfilo

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Thor: Ragnarok (2017) - Crítica

     Vale sempre a pena esperar pelas duas cenas pós-créditos, a não ser que a cena dure 45 segundos e que não acrescente nada à informação já dada sobre futuros filmes. Enfim …

     Thor e Hulk estão de volta e, desta vez, depois de se reencontrarem por acaso num planeta diferente, os dois devem unir forças para impedir que a irmã desconhecida do Thor, Hela, destrua Asgard por completo.

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    O filme foi realizado pelo neozelandês Taika Waititi, um realizador em ascensão que já definiu o seu lugar com a comédia excecional What We Do in the Shadows. Confesso que fui um dos primeiros a torcer o nariz quando a Marvel anunciou esta nova escolha. Tinha confiança no realizador, já que sempre foi dotado para a comédia, mas ia com as expectativas baixas para as cenas de ação. Devo dizer que não podia ficar mais surpreendido! Thor: Ragnarok, de certeza, não é o melhor, mas é um dos mais divertidos filmes da Marvel, juntamente com Guardians of the Galaxy e Ant-Man.

     O Taika Waititi fez um trabalho exemplar. Primeiro, conduziu as cenas de ação de maneira a invejar colegas como o Michael Bay. Há muito CGI, muito mesmo, mas de excelente qualidade, claro, o que não é surpreendente vindo dum filme com um orçamento de 180 milhões de dólares. A edição e o trabalho de câmara complementam-se perfeitamente e nunca surgiu a sensação de confusão ou de excesso de ação. Todo aquele ambiente de guerra à lá Gladiator evoca perfeitamente os métodos de filmmaking de épicos como esse referido. Todo o processo é divertido e, feliz ou infelizmente, passa bastante rápido. O realizador fez também um excelente trabalho a desenvolver um mundo fascinante e, por vezes, propositadamente exagerado e risível. O design artístico é quase chocante e as cores primárias são acentuadas de uma maneira fortíssima.

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     O humor do filme é aquilo que se pode sempre esperar de um filme de super-heróis. Aliás, Marvel e Taika Waititi são um lindo casal. Nos seus filmes mais autorais, o neozelandês oferece um sentido de humor um pouco mais agressivo. Contudo, maior parte das piadas à lá Marvel funcionam e garantem ótimas e inúmeras gargalhadas na sala de cinema, sobretudo se o filme for visto com amigos.

     O Chris Hemsworth talvez nunca esteve tão bem a interpretar o Thor. Na verdade, o ator rapidamente se afeiçoou ao personagem e nunca mais o largou. Contudo, desta vez, há uma maior dedicação para com o desenvolvimento do mesmo, que vai muito além de brincar com o martelo e saber lutar. O arco dele é muito rico e o público não tira os olhos dele, tanto nas cenas de ação, tanto nas suas cenas cómicas.

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     O Tom Hiddelston continua deliciosamente traiçoeiro, mesmo como o Loki deve sempre ser. O personagem está mais calmo desta vez, mas o medo de uma possível traição nunca desaparece totalmente, o que faz dele moralmente ambíguo e interessante.

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     A Tessa Thompson foi uma bela adição no MCU! Estou ansioso por ver mais dela. A Valkyrie é uma guerreira sem feltros, bêbada, corajosa, carismática e muito engraçada.

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   O Jeff Goldblum é tudo aquilo que se pode querer do clássico Jeff Goldblum. O Grandmaster é divertido, convidativo e parece ter muito mais relevância do que mostra inicialmente.

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   O Idris Elba dá mais uma prova do seu pequeno, porém grande, compromisso com o personagem Heimdall. O ator é muito sólido e, mesmo com uma participação curta, nunca se deixa intimar pelo resto do elenco.

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     A seguir a The Avengers, de 2012, o Mark Ruffalo nunca esteve tão bem a interpretar o Hulk. É a sua performance mais engraçada, violenta e participativa no arco central. O Hulk sempre foi espetacular, mas nunca passou de um personagem secundário que apenas estava lá para “esmagar”. Desta vez, o conflito interno Bruce Banner/Hulk ganha mais destaque e torna-se mais interessante observar as duas personalidades em choque.

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     Já o Karl Urban foi uma tentativa falhada de desenvolver um arco de culpa e redenção. O personagem é desinteressante e, facilmente com duas ou três ligeiras alterações no guião, era possível excluí-lo facilmente. Este ocupa grande parte do tempo que podia ser da Cate Blanchett. Maior parte do desenvolvimento da antagonista é feito através de uma narração aborrecida que podia ser evitada se a vilã não estivesse a falar com alguém.

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     Por falar nela, a Hela pode nem ser, aliás, não é uma das melhores vilãs da Marvel no que diz respeito à sua ameaça ou à sua motivação, mas pouquíssimas atrizes conseguiriam igualar a presença, o charme ou a delicadeza malvada imbatível da atriz australiana. Nota-se que a Cate Blanchett quer extrair o maior prazer que consegue da personagem.

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     No elenco restante, estão incluídas as pequenas, mas ótimas participações do Anthony Hopkins como Odin, do Benedict Cumberbatch como o emblemático Doctor Strange e do próprio Taika Waititi como o monstro de pedra Korg, um alívio cómico eficiente.

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     A banda sonora é sensacional! Eu não estava à espera de ouvir a Immigrant Song, dos Led Zeppelin logo ao início. É de facto uma música intemporal e ritmicamente perfeita para acompanhar cenas de ação. Essa entre muitas outras!

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     Thor: Ragnarok é o melhor filme da trilogia Thor e um dos mais divertidos de todo o MCU. Sem dúvida, vale uma ida ao cinema, se aquilo que se procura é um bom filme de super-heróis com bons personagens, boa música, boa ação e boa comédia.

 

Nota: A-

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