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Vida de um Cinéfilo

Vida de um Cinéfilo

Titanic (1997) - Análise e Crítica

     Hoje, dia 19 de Dezembro, o filme Titanic comemora 20 anos! Que melhor dia haverá para comemorar esta obra?

     Todos nós conhecemos esta história. O recente navio Titanic parte de Liverpool no dia 10 de Abril de 1912, com destino a Nova Iorque. Apenas 4 dias depois, depois de colidir contra um iceberg, o navio afunda tragicamente. Abordo viajam dois jovens de classes sociais opostas que se apaixonam perdidamente. Perante o desastre, os dois devem lutar pela sobrevivência ao mesmo tempo que persistem contra as proibições impostas contra a sua relação.

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    O filme foi realizado, escrito e co-editado pelo canadiano James Cameron, que se estabeleceu bastante cedo como um dos realizadores mais experientes e exigentes da sua geração. Aqui ele faz algo bastante difícil e que pouquíssimos profissionais conseguem fazer ainda hoje: relatar com um perfeito equilíbrio o desenrolar de um trágico acontecimento histórico responsável por milhares de mortes, enquanto desenvolve ótimos personagens e arcos. O próprio James Cameron é muito interessado pelo Titanic e pela ainda incerta origem do seu afundamento, tendo dado a sua contribuição no documentário de 2012, Titanic: The Final Word with James Cameron.

     Mas pondo todo desse assunto de parte, há que reconhecer que, independentemente das teorias desenvolvidas sobre a origem desta tragédia, Titanic é um dos filmes mais épicos de toda a História. Normalmente, prefiro não defender a qualidade de uma obra referindo os prémios que a mesma ganhou, mas quando um filme é 1 dos únicos 3 a ganhar o número recorde de 11 Óscares, é quase impossível por em causa a sua importância na cultura cinematográfica. Titanic é uma das melhores histórias de desastre e de amor do cinema! Tudo é espetacular aqui, tudo! Comecemos pelo básico.

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    O filme tem 3 horas. Nem toda gente gosta de filmes longos. O difícil em escrever argumentos com uma longa duração é correr o risco de não conseguir sustentar o ritmo, deixando assim o filme arrastado, aborrecido e lento. Não é o caso aqui. A atenção surge da interação entre os personagens, da criação do ambiente e da época, da posterior caracterização do comportamento da sociedade daquela década e, claro, do inevitável presságio da catástrofe futura. Ainda assim, ao longo da primeira hora e meia, o foco do James Cameron nunca foi anunciar que algo de mau estava prestes a acontecer, mesmo dando justificações adequadas para tal tragédia ter sucedido. O realizador foca-se no mais importante e desenvolve o que quiser sem preça.

     Juntamente com Terminator 2: Judgment Day (realizado também pelo James Cameron), Jurassic Park e The Matrix, Titanic foi um dos grandes impulsionadores da arte CGI durante os Anos 90. A ascensão do green screen e dos diversos efeitos visuais fazem deste filme um marco do cinema digital. E desde cedo que o realizador se mostrou muito pragmático e experiente no uso também de efeitos práticos. O realismo da situação é palpável e, apesar da estética notável dos efeitos especiais e visuais dos Anos 90, nunca surge aquela sensação de um mau trabalho técnico. Vi o filme pela primeira vez em 2012, em 3D, e foi uma experiência no mínimo desconcertante. São poucos os filmes de desastre que conseguem verdadeiramente perturbar o público.

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     No entanto, o sentimento de perda ou de tragédia não é transmitido totalmente pela violência da água ou pela sua capacidade animalesca de “engolir” as pessoas como se tudo acontecesse num pesadelo, mas sim pelo elemento humano. Tudo bem que todos nós ficamos preocupados com o Jack e com a Rose, mas o que realmente dói na alma é ver aquele casal de velhinhos deitados na cama, aquela mãe a contar uma história aos filhos, os violinistas que decidem continuar a tocar e, claro, a comunidade dos estrangeiros de classe baixa ambiciosos por alcançar o sonho americano, representada por jovens como o Fabrizio, que muitos dizem ser o mais inútil personagem do cinema. Em certa parte, é, mas cumpre o seu propósito.

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“I’m the King of the World!!!”

     Vamos falar finalmente das interpretações. Leonardo DiCaprio e Kate Winslet é uma das melhoras duplas românticas do cinema. O que é que se pode dizer mais? É um amor credível, imediato, um amor que consome e comove juntamente o público. O duo não podia estar mais dedicado aos personagens. Depois da química espetacular que nasceu aqui, ambas as carreiras forma lançadas em força e nunca mais pararam. O Leonardo DiCaprio tem um sorriso altamente amigável e carismático, um charme, uma vivacidade e uma mente sonhadora e ambiciosa muito contagiosos e que permanecem hoje na sua filmografia toda. É impossível não gostar dele só de cara. A Kate Winslet é alma do filme e, ao contrário do DiCaprio, tem um arco muito mais rico, pois sofre de uma mudança radical na sua perceção acerca da vida e nos seus valores. Primeiro, é uma jovem destroçada, infeliz e injustiçada pela vida que não escolheu, mas que foi escolhida para ela. Graças ao Jack, começa a ver o mundo com outros olhos e, daí, facilmente examinamos o choque das duas classes sociais. De um lado estão os fúteis e hipócritas nobres e aristocratas na festa do chá ao som de leves violinos, do outro está o povo a beber cerveja artesanal enquanto dança alegremente ao som de música popular como se fosse o último dia. Quando a Rose se apaixona, vira aquela rapariga audaciosa que possivelmente tinha desaparecido há muitos anos, que eventualmente “abriria as asas e voaria pelo oceano” e, que mais tarde, se haveria de tornar na mulher quebrada e cansada que recorda a sua longa vida com muito prazer. É um arco extremamente bem construído.

“I’m flying, Jack!”

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“Never let go! / I will never let go, Jack. I’ll never let go!”

    Quando a ação não decorre no Titanic, corta para a maravilhosa Gloria Stuart, que torna cada segundo seu em magia audiovisual. Também a interpretar a Rose, ela não podia ser mais querida, nostálgica, melancólica e doce. É um retrato impecavelmente comovente, envolvente e tocante. O que dói mais é saber que em 84 anos, ela nunca teve oportunidade de falar com ninguém sobre o Jack. Os seus olhos falam por ela e sente-se uma inocência no seu discurso que pouquíssimas atrizes conseguiram reproduzir.

“Titanic was called “The Ship of Dreams”!”

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“I don’t even have a picture of him. He exists now only in my memory.”

     Merecem também destaque o Bill Paxton (descanse em paz), o Victor Garber, o Bernard Hill, a Kathy Bates, que está fantástica como a Molly Brown, a Frances Fisher, que interpreta perfeitamente aquela mulher conformista mais interessada na sua condição financeira do que na felicidade da filha, e o Billy Zane, que interpreta um dos homens mais nojentos das histórias românticas. Um homem arrogante, malicioso, invejoso e, sobretudo, desumano.

     O filme é também um dos mais melodiosos e vistosos já feitos. Tanto a impecável produção artística, a banda sonora monumental que inclui a letra inconfundível escrita pelo James Horner e pelo Will Jennings, e interpretada pela fantástica Céline Dion, “My Heart Will Go On”, e a cereja no topo do bolo em forma da estonteante e limpa fotografia contribuem para, em conjunto, darem a esta obra uma riqueza técnica que poucas conseguiram alcançar.

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     Titanic é um marco do cinema e um clássico gigantesco! Por muito deprimente, realista, brutal e trágico que seja, é uma das mais belas e tocantes histórias de amor alguma vez contadas. Merece ser visto por toda a gente, pois é uma obra única, belíssima, inspiradora e magnifica.

 

Nota: A+

 

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