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Vida de um Cinéfilo

Vida de um Cinéfilo

Top 10 Melhores Filmes de Super-Heróis de Sempre

     Filmes de super-heróis são, de certeza, aqueles que mais sucesso fazem. O género pode não ser necessariamente o melhor, mas é um dos mais divertidos e um dos mais apreciados pelo público no geral e pelos cinéfilos mais compulsivos atualmente. Nesta lista, apenas um filme não é baseado em comics e eu decidi não incluir nenhuma animação. Anyway, ficam aqui com 10 (ou mais) recomendações.

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10º Lugar: V for Vendetta (V de Vingança, 2006)

     Há um debate plausível sobre quem estava realmente atrás da cadeira de realizador durante a produção deste filme. James McTeigue ou as Irmãs Wachowski? Deixo-vos esta pergunta em primeiro lugar. É de realçar que são poucos os filmes de super-heróis que conseguem adotar uma narrativa de um género distinto. V for Vendetta é um dos melhores exemplos de um filme de super-heróis adaptado numa narrativa social e politicamente relevante. O filme tem um dos melhores comentários contra o totalitarismo e um dos melhores acerca da força que um ideal consegue inspirar numa população. Há momentos genuinamente tensos, nomeadamente os discursos do fabuloso John Hurt ou as ótimas cenas de ação, conduzidos de maneira poética. O V é um dos personagens mais interessantes do género e também um dos melhores papéis do Hugo Weaving. Merece destaque também a fantástica Natalie Portman que está sublime e bonita como sempre, mesmo sem cabelo.

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9º Lugar: Logan (2017) (ler crítica)

     Como podem verificar, esta é a entrada mais recente desta lista. Logan, para além de um espetacular e violento western dramático de ação, é também uma belíssima obra sobre os limites de um homem desgastado e quebrado. E mesmo achando o seu valor nas cenas de ação gráficas e brutais, o filme conduz-se com uma filosofia deliciosamente melancólica. O Hugh Jackman acha precisamente neste filme a sua melhor interpretação do personagem Wolverine, algo que terminou ao fim de 17 longos anos. O James Mangold demonstra-se o realizador certo para conduzir a franchise dos X-Men, adotando um estilo bem clássico de fazer cinema, o Patrick Stewart merece um reconhecimento maior pela performance marcante de um fraco e envelhecido Professor X, e a Dafne Keen merece também destaque por ser uma das mais fantásticas revelações neste universo cinematográfico.

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8º Lugar: X-Men 2 (2003)

     Sou culpado, adoro os X-Men. O Bryan Singer desenvolveu o comentário certo para o universo, orquestrou uma banda sonora monumental e, tal como aconteceu no primeiro X-Men, contribuiu de uma forma que viria a ser mais valorizada nos anos seguintes – soube equilibrar o tom, consistente em diálogos engraçados e momentos necessariamente dramáticos, uma característica do género que se imortalizaria eventualmente neste século. A cena inicial com o Nightcrawler merece um semelhante destaque por ser uma das mais surpreendentes e criativas já feitas. Juntamente com essa nova entrada, o realizador consegue equilibrar o desenvolvimento da maior parte dos personagens de maneira engenhosa e aparentemente fácil, com exceção claramente da Storm, que sempre foi a mais subutilizada. Por fim, graças ao ritmo e à dedicação do elenco, o último ato é um dos mais enérgicos que já vi. Se já o primeiro filme foi marcante, quanto mais este, que é discutivelmente uma das melhores sequelas do género.

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7º Lugar: Watchmen (Watchmen: Os Guardiões, 2009)

     Ao contrário daquilo que se possa pensar, o início da carreira do Zack Snyder esteve repleta de filmes de qualidade: Dawn of the Dead, 300 e, claro, Watchmen, que certamente dividiu o público de uma maneira que poucos filmes conseguiram. Pode não ser o melhor, mas é aquele filme de super-heróis que adultos irão adorar, enquanto a geração mais jovem se irá entediar. Há de tudo aqui: cores vivas, cenas de câmara lenta sensacionais, uma seleção musical deliciosa e um distinto espetáculo visual. Sendo um filme decorrente durante a Guerra Fria, o foco aqui esteve totalmente no lado mais nocivo e medonho da Humanidade durante o mesmo período, funcionando perfeitamente como um estudo sobre a natureza violenta, corrupta e imoral do Ser Humano. Os personagens Rorschach e Ozzymandias (este ainda menos explorado do que devia) são exemplos dos efeitos colaterais dessa mesma imoralidade, mesmo estes dois vigilantes terem filosofias exatamente opostas. Watchmen pode ser demasiado longo e reflexivo para alguns, mas é sem dúvida uma joia para aqueles que procuram algo menos convencional.

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6º Lugar: Deadpool (2016)

     No essencial, Deadpool foi um alívio para o próprio género. Como já foi dito antes, o filme é o mais engraçado do seu nicho, a classificação Rated-R complementa, e muito, a essência do personagem e a redenção da carreira do Ryan Reynolds é uma das mais surpreendentes dos últimos anos. Para além disso, é de realçar a originalidade com que a estrutura narrativa foi elaborada. O filme funciona como uma comédia, como um filme de ação, como um romance e, claro, como uma jornada vingativa do protagonista. Devido à enorme qualidade de efeitos especiais e maquilhagem, que incluiu membros cortados, decapitações, litros de sangue derramados e inúmeros outros golpes violentos e gráficos, Deadpool pode não alcançar o status family friendly. But who cares? Foi provado que a classificação etária de um filme pouco interessa numa estreia e que o género tem ainda muitos caminhos para explorar. Esta é a escolha perfeita para uma sexta à noite com amigos.

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5º Lugar: The Avengers (Os Vingadores, 2012)

   É verdade que dinheiro não é sinónimo de qualidade. São vários os componentes do MCU que apenas são divertidos no momento em que os vemos, há alguns que não ficam na nossa memória para sempre. Porém, alguns casos são exceções … The Avengers é um deles. Desengane-se quem pensar que isto se trata apenas de uma mega sequência de ação com 6 soldados especiais a enfrentar um enorme exército alienígena. O filme é muito divertido, é verdade, e o maior fator responsável é o número de excelentes interações entre os protagonistas que, eventualmente, seriam desenvolvidos em filmes futuros. No entanto, algo que apenas reparei na última vez que vi o filme foi um leve, mas eficiente comentário sobre os difíceis laços de confiança que se criam dentro de um ambiente político, principalmente numa situação de ameaça (ainda que fictícia) à segurança de um país. Graças a isso, The Avengers consegue se excluir facilmente daquele conjunto de filmes do MCU que apenas são engraçados e frenéticos. Não se pode negar que tudo neste filme é bem trabalhado, desde as espetaculares pequenas cenas de ação, ao enorme carisma do antagonista Loki e à extraordinária batalha final que nunca fica cansativa. Aliás, tudo fica melhor com a second view!

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4º Lugar: X-Men: Days of Future Past (X-Men: Dias de Um Futuro Esquecido, 2014)

     Já consegui expressar o meu enorme carinho pelo universo dos X-Men. Um carinho que apenas começou este verão, já que decidi somente este ano começar uma maratona de filmes que nunca tinha visto. Rapidamente, o Wolverine, o Professor X, o Magneto e a Mystique tornaram-se em algumas das minhas personagens preferidas do cinema moderno. A Marvel da Fox é melhor que a Marvel da Disney por uma razão: o realismo e a seriedade dos comentários acerca da sociedade em qualquer período da História, o racismo que nela se mantem até hoje e os falsos moralismos daqueles que se consideram dignos. X-Men: Days of Future Past é o melhor filme de uma franchise que se manteve sempre (com algumas exceções) com uma enorme qualidade temática e técnica. O filme é um dos mais deprimentes do género, mas também um dos mais emocionantes e tensos. Os Sentinelas são bastante ameaçadores, mas o foco nunca foi a ameaça que estes representavam, mas sim o desenvolvimento riquíssimo de alguns arcos: a revolta do Magneto, a culpa do Professor X, as dúvidas da Mystique e o compromisso do Wolverine. A dedicação de um dos melhores elencos já reunidos, os estonteantes efeitos visuais, os diálogos sentidos e as ótimas cenas de ação fazem deste filme imprescindível.

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3º Lugar: Spider-Man 2 (Homem-Aranha 2, 2004)

     Se o Bryan Singer foi um dos maiores impulsionadores deste género do século XXI, o Sam Raimi contribuiu ainda mais para definir aquilo que um filme de super-heróis devia ser: emotivo, envolvente, divertido, engraçado e dramático nas doses certas. Spider-Man 2 é o melhor filme do Homem-Aranha, ponto. Tal como o universo dos X-Men, a seriedade de determinados arcos evolui o desenvolvimento de todo o mundo em que a ação decorre. A interpretação do Tobey Maguire é perfeitamente instrumental nesse aspeto, é um Peter Parker e um Homem-Aranha mais adulto, mais sofrido e, consequentemente, mais assustado e vulnerável. Tal como o primeiro Spider-Man, a sua sequela elabora um estudo (desta vez melhor) sobre a condição humana, sobre tudo o que vivemos que acaba eventualmente por nos moldar, por definir os nossos valores e as nossas obrigações enquanto cidadãos com habilidades “especiais”, não no sentido literal (óbvio). Merece destaque também o Alfred Molina, que desenvolve um antagonista memorável e não totalmente maléfico. Devido àquilo pelo qual o pobre cientista passou, é impossível ficar totalmente contra ele. Daí surge a reflexão sobre a nossa condição mais inconsciente, o lado que desconhecemos de nós próprios, as atitudes e desejos mais condenáveis. Sendo assim, concluo dizendo que Spider-Man 2 é o melhor filme de um personagem da Marvel já feito até hoje.

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2º Lugar: Unbreakable (O Protegido, 2000) (ler crítica)

     Nesta lista, tive de abrir uma exceção e fazer batota. Unbreakable não é adaptado de nenhum material-fonte, mas é certamente um dos filmes deste género ao qual eu dou mais valor. Desengane-se quem pensar que este se trata de só mais um thriller sobrenatural do senhor M. Night Shyamalan. De facto, tal como outras obras do realizador, a atmosfera é melancólica, tensa, lenta e até bizarra. Por momentos não sabemos o que estamos a assistir, o que é na verdade um dos melhores visionamentos possíveis. No entanto, Unbreakable é um filme consideravelmente importante e envolvente. No fundo, é uma discussão sobre o nosso papel na vida, a nossa escolha de nos tornarmos um “super-herói” para as pessoas que nos rodeiam, para as pessoas que gostam de nós. “O que é que estamos cá a fazer?”; “Qual é o significado da nossa presença?”; “Qual é o meu papel neste mundo violento e imoral?”; “Será que mereço aquilo pelo qual já passei?” … são estas algumas das inúmeras perguntas que nos passam pela cabeça enquanto observamos atentamente a jornada do David Dunn e a sua estranha interação com o sinistro Elijah Price, uma alma incompreendida e solitária. A música, os flashbacks, as cores, tudo sustenta a melancolia e o desconforto crescentes, enquanto exalta cada vez mais a inspiração e força que o desenrolar da história pode transmitir a uma pessoa. O ato final é recheado de momentos desses, principalmente quando o David decide finalmente agir e assumir o seu papel … até que um dos melhores twists de sempre é revelado. Split (ler crítica), deste ano, foi muito bom e Glass, que chegará em 2019, é muito promissor, mas nenhum chegará aos calcanhares do seu original. Unbreakable não é um filme, é uma experiência.

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1ª Lugar: The Dark Knight (O Cavaleiro das Trevas, 2008)

     O que é que posso dizer mais sobre este filme que já não tenha sido dito. The Dark Knight é o melhor filme deste género, ponto. Porquê? Vejam por vocês mesmos. O que é que esta sequela tem que os outros não têm? É a pergunta que coloco. Para responder corretamente, digo que este está cima dos outros duma maneira incontornável. É uma estrutura narrativa de um filme de máfia/gangsters; as cenas de ação criadas com efeitos práticos são algumas das melhores da filmografia do Christopher Nolan, as referências literárias do mesmo são feitas de maneira inteligentíssima (e não só apenas no segundo filme), o conflito de consciência do protagonista é tematicamente riquíssimo, assim como o estudo da violência e corrupção humana (feito sem qualquer receio), a filosofia da figura de Cristo facilmente derrubável, do Bode Expiatório e, claro, da mente perversa, egoísta, anárquica e moralmente duvidosa do Homem. O elenco é um exemplo de dedicação para toda a nova geração de atores, o espetáculo visual complementado pelo trabalho de câmara é uma aula de cinema e o desenvolvimento do antagonista principal é um que jamais irá ser superado. O Joker é tudo aquilo que lhe queiram chamar: psicótico, maluco, insano, maldoso, insensível e violento. Mas há algo que nunca lhe poderão tirar: a razão. O Ser Humano não é tão nobre quanto diz ser, um cidadão de eleição como o Harvey Dent não é um modelo exemplar na sociedade, os nossos ideias não são tão valiosos quanto nós pensamos, porque apenas com um clique, um empurrãozinho, nós facilmente cedemos. O ato final pode terminar com a população de Gotham a demonstrar o seu valor, mas no final o Joker vence, provando que até o maior exemplo de dignidade e honra da nossa comunidade pode cair na desgraça. Por estas e por outras muitas, eu considero The Dark Knight o melhor filme de super-heróis já feito.

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“You see, madness, as you know, is like gravity … all it takes is a little push!”

Menções Honrosas:

  • Superman (1978)
  • Batman (1989)
  • Batman Returns (1992)
  • The Crow (1994)
  • X-Men (2000)
  • Spider-Man (2002)
  • Blade II (2002)
  • Batman Begins (2005)
  • Iron Man (2008)
  • Kick-Ass (2010)
  • X-Men: First Class (2011)
  • The Dark Knight Rises (2012)
  • Guardins of the Galaxy (2014) (ler crítica)
  • Captain America: The Winter Soldier (2014)
  • Captain America: Civil War (2016)
  • Thor: Ragnarok (2017) (ler crítica)

 

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