Saltar para: Post [1], Comentários [2], Pesquisa e Arquivos [3]

Vida de um Cinéfilo

Gosto de filmes, e vou falar deles, e muito ...

Gosto de filmes, e vou falar deles, e muito ...

Vida de um Cinéfilo

26
Jun17

Top 10 Melhores Filmes do Stanley Kubrick


Francisco Quintas

     Voltei, e em grande! Depois de algum tempo sem escrever nada, decido fazer algo que quero levar para a frente com este blog - Tops 10. Seja de géneros, de performances ou, neste caso, de realizadores. Apenas agora acabei de assistir a todos os filmes de 2016 listados (que acabaram por ser no total 93), por isso, bons filmes como os sul-coreanos Goksung e Miljeong, e os de idioma inglês All the Way, Batman: The Killing JokePersonal Shopper e American Pastoral não vão ter crítica. Vou começar a fazer as críticas de 2017 que me restam, mas, por enquanto, vamos falar de um dos homens que exercia a sua profissão melhor que os outros e um dos grandes responsáveis por mudar o cinema. Stanley Kubrick!

Stanley-Kubrick.png

10º Lugar: The Killing (Um Roubo no Hipódromo, 1956)

     Provavelmente, este foi o filme que pôs definitivamente Stanley Kubrick no mapa. Mesmo não sendo perfeito, demonstrou a sua capacidade de, nunca esquecendo a importância da simplicidade na suas obras, contar uma história não muito complexa mas, claro, rica e bem construída. A pequena parceria entre o Kubrick e o Sterling Hayden contribui para a carreira de ambos e proporcionou filmes cada vez melhores.

TheKillingPosterKubrick.jpg

9º Lugar: Eyes Wide Shut (De Olhos Bem Fechados, 1999)

     Longo, preverso, surreal, e até um pouco assustador, a banda sonora da Jocelyn Pook ainda hoje me persegue. Foi neste tom que Kubrick decidiu acabar a carreira. Mesmo tendo morrido apenas 4 dias depois do lançamento sem nunca ter visto o produto final, o realizador considerava esta a sua melhor obra. Pode não ser tanto, pode não estar nos calcanhares das outras, mas, como todos os restantes filmes dele, merece ser visto (não por todos claro). Para não falar que quem gostar de um Tom Cruise ou de uma Nicole Kidman inspirados, no auge das suas carreiras e nas mãos de um realizador extremamente perfecionista, não há recomendação melhor.

eyes-wide-shut-53bbf22327737.jpg

8º Lugar: The Shining (Shining, 1980)

     Por que é que este filme não teve o título igual ao original? Nunca vamos saber ... Pondo isso à parte, devemos considerar este filme de terror como um dos mais manhosos e importantes, sem me querer contradizer. A verdade é que, hoje, muitos cineastas de terror escolhem elementos de The Shining e maior parte deles são muito bem trabalhados. Outra verdade é que pouca gente gostou disto nos Anos 80. Não havia internet e era muito mais difícil perceber um filme destes. Depois de 2001: A Space Odyssey, este era o trabalho mais estranho de Kubrick. Mas se estivermos focados e empenhados, facilmente temos uma das experiências de terror mais gratificantes e diferentes da nossa vida. Somando isso à performance monumental do Jack Nicholson, que é uma das melhores alguma vez vistas, era impossível o ator fazer melhor do que aquilo.

33e786893d4966a05e77d4cd293c7b98.jpg

7º Lugar: Spartacus (1960)

     Vá lá, um título decente! Pode ser bem longo, mas aquelas 3 horas valem bem a pena, percebe-se isso facilmente quando 1 hora parece 15 minutos, quando isso acontece significa que aquilo vai ser bom! A pequena parceria do Kubrick com o Kirk Douglas pode ter acabado cedo demais devido às largas discussões no set e pela saturação dos dois um pelo outro, mas engana-se quem disser que não foi bom enquanto durou. Spartacus é um dos épicos mais épicos da História, qualquer filme atual do mesmo género deve muito a Spartacus. Gladiator é um dos meus filmes preferidos e deve muito. Ridley Scott até pode ter reanimado o gosto do público por batalhas e sangue, mas Kubrick criou-o. Esta carnificina serviria mais tarde para Quentin Tarantino se tornar um dos melhores da sua área e para, mais uma vez, Kubrick ser posto no topo.

1960_Spartacus_05.jpg

6º Lugar: Lolita (1962)

     A história pode ser incómoda para alguns, mas extremamente divertida para outros. Os personagens, os diálogos, os conflitos e a ansiedade fazem de Lolita um dos trabalhados mais diferentes do Kubrick. Depois de Spartacus, este decidiu voltar às origens e fazer um filme mais calmo, simples, mas não inferior. Para além de muito engraçado, foi também muito controverso e polémico, o que para os fâs do realizador provavelmente não foi novidade. O público constantemente vê-se numa posição em que acompanha um homem subtilmente desprezível, porém carismático e charmoso ao mesmo tempo, não há inquietação maior que essa, por vezes até nos sentimos mal connosco próprios. E o James Mason e a Sue Lyon dão um show de interpretação!

MPW-68230.jpg

5º Lugar: Dr. Strangelove or: How I Learned to Stop Worrying and Love the Bomb (Doutor Estranhoamor, 1964)

     É uma pena que este filme apenas tenha 1 hora e meia. Poderá haver comédia negra mais negra que esta? Se calhar não. De facto, é preciso o mínimo conhecimento histórico da Guerra Fria e do clima de inquietação e medo que andava no ar especialmente na América. Qualquer realizador olharia para esse clima e faria uma obra séria, amígua e "socialmente importante". Kubrick vai mais além e demonstra que o cinismo é uma das armas mais fortes da filosofia, principalmente quando aplicado no humor negro. O tom propositadamente sério torna o humor ainda melhor, as interpretações são espetaculares, os personagens são absurdamente engraçados, e há ainda um total à vontade do Kubrick no que toca a abordar determinados assuntos, só faz com que a minha admiração por ele seja maior. E o Peter Sellers, para além de nos brindar com uma das melhores performances de sempre, ainda nos dá três personagens hilariantes: Capt. Lionel Mandrake, President Merkin Muffley e, claro, Dr. Strangelove!

dr-strangelove.jpg

4º Lugar: Full Metal Jacket (Nascido Para Matar, 1987)

     Trata-se de um filme bastante anti-guerra e o derradeiro grande último filme do mestre Kubrick, Eyes Wide Shut é bom, mas não tanto. Pode não ter tanta ação como outros do género, apesar do último ato provar quase imediatamente que o Kubrick sabe fazer tudo. Um último ato perturbador como aquele foi o ingrediente perfeito para o final. O filme é muito tenso, provocador e, claro, anti-guerra. Ele não se compromete a manifestar constantemente contra a insanidade que foi a Guerra do Vietname, ao invés disso, o filme resume-se a uma excelente sátira com momentos pesados sobre frequentar um ambiente de guerra e a desumanização dos soldados. A música "Hello Vietnam" do Johnny Wright é soberba e mostra isso perfeitamente. A ambiguidade das atitudes do Soldado Joker provam isso e essas dúvidas passam para o público muito rapidamente. Eu gosto de filmes de guerra e de filmes que me façam refletir, por isso eu gosto de Full Metal Jacket.

full_metal_jacket.jpg

3º Lugar: 2001: A Space Odyssey (2001: Odisseia no Espaço, 1968)

     Este sim foi feito para dividir opiniões. É um filme extremamente ambíguo sobre ciência, monólitos, evolução, morte e renascimento. Poderá haver retrato da humanidade mais honesto do que este? Esta sim é considerada a obra-prima do Kubrick, alguns cinéfilos podem-se chatear por 2001 não estar no 1º lugar. Verdade é que 2001: A Space Odyssey é, discutivelmente, o melhor filme de sempre, dependendo do gosto de cada pessoa. Pode até não ser o melhor, mas é um dos mais importantes já feitos. Talvez aquilo que melhor define o ser humano é o 1º capítulo. Quando o macaco se levanta com o osso, é para matar ... e depois ri-se. O ser humano é aquilo, o ser humano é naturalmente violento. Tal violência seria até mostrada noutras obras do Kubrick mais tarde, mas o que se destaca aqui não é a violência, mas sim os métodos inovadores de se fazer cinema: contar uma história apenas com imagens, detalhes absurdos, música clássica, planos impossíveis, um tom fúnebre e um ritmo que, mesmo arrastado por vezes, definido. É assim que se faz um filme!

msp0021_space_odyessy.jpg

2º Lugar: Paths of Glory (Horizontes de Glória, 1957)

     Filmes de guerra são difíceis. Mais um bastante anti-guerra e um dos mais obscuros. Para um filme de guerra, é bem curto, talvez até demais, é essa a única fraqueza que eu encontro. Claramente foi um problema de orçamento, mas o importante aqui não é a sua duração, mas sim o seu significado, o seu impacto, especialmente quando foi lançado (nos primeiros anos da Guerra do Vietnam). O Kirk Douglas dá uma interpretação bem contida, interior e furiosamente reservada. É um homem que quer fazer o bem e salvar aqueles soldados, mas está no meio da hipocrisia, da injustiça e da maldade humana. Poucos filmes são tão fortes como este, poucos são aqueles que conseguem realmente passar a mensagem de que soldados são brinquedos pequenos e facilmente substituíveis. É um filme sem qualquer tipo de leveza, mas muito importante. Com apenas 28 anos, o Kubrick mostrou-se capaz de muito coisa.

image3.jpg

1º Lugar: A Clockwork Orange (Laranja Mecânica, 1971)

     Para mim, não podia ser diferente. Eu adoro dramas sociais e políticos, principalmente distopias como esta. Só que a cena é essa. Não há nenhum filme comparável a este. Mais uma vez, o Kubrick não teve qualquer reconhecimento nem da Academia nem de outras organizações no geral. The French Connection é muito bom, mas A Clockwork Orange está lá em cima. É mais poderoso, fascinante e socialmente importante. Não há como separar o Malcolm McDowell do Alex. Ele é Ele! O Alex é um dos personagens mais interessantes do cinema. Ele apresenta-se como o "humilde narrador" e acha um equilíbrio perfeito entre a comodidade da sua narração e a brutalidade das suas ações. Quando toda a gente começa-se a vingar dele, o público sente pena. Nós sentimos pena de um violador assassino. Como Kubrick, como?! O conceito da Terapia de Ludovico é algo, mesmo inútil até certo ponto, assustadoramente plausível na minha opinião, mas acho que independentemente das ideologias políticas de cada um, é possível todos nós termos um debate moral. Todos nós já pensamos o que seria se um homicida ou um violador fizesse mal aos nossos. O que eramos nós capazes de fazer? Qual seria o nosso limite? Vingança seria a coisa certa? Ou seria a coisa errada? Será que o governo deve castigar os criminosos? Os criminosos mais desumanos merecem ser torturados? É impossível não criar um debate! Por estas e outras, eu considero A Clockwork Orange uma pérola do cinema e o melhor filme do Stanley Kubrick!

a_clockwork_orange_knife_poster.png

Menções Honrosas:

  • Barry Lyndon (1975)
  • Fear and Desire (1953)
  • Killer's Kiss (1955)

2 comentários

Comentar post

Mais sobre mim

foto do autor

Sigam-me

Subscrever por e-mail

A subscrição é anónima e gera, no máximo, um e-mail por dia.

Arquivo

  1. 2017
  2. J
  3. F
  4. M
  5. A
  6. M
  7. J
  8. J
  9. A
  10. S
  11. O
  12. N
  13. D