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Vida de um Cinéfilo

Gosto de filmes, e vou falar deles, e muito ...

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30
Abr17

Trespass Against Us (Código de Família, 2017) - Crítica


Francisco Quintas

     Se há prova de que é possível, e fácil, elevar a trama de qualquer filme apenas contratando dois excelentes atores, por mais desinteressante que a história for, é o filme Trespass Against Us.

     O filme passa-se na Irlanda e segue uma família de criminosos que vive numa das zonas rurais mais ricas da Grã-Bretanha. Eis que Chad, interpretado pelo Michael Fassbender decide sair daquele ambiente contra a vontade do pai, interpretado pelo Brendan Glesson, e eis que Chad começa uma luta pela liberdade da sua família.

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     Não se deve esperar um grande thriller de ação quando se pensa nesta trama. Ao invés disso, deve se esperar um drama de família e crime, onde determinados assuntos são discutidos de maneira relevante, enquanto o resto do filme não passa do genérico e previsível.

     O filme é realizado pelo Adam Smith, um realizador que ainda não conseguiu achar o tom e a sua voz, não há nada de marcante no estilo dele, pelo contrário, nota-se que a sua inexperiência. Ele usa bastantes grandes planos dentro daquele ambiente claustrofóbico, que funcionam, e há cenas de ação muito bem orquestradas. O problema é que essas cenas caiem rapidamente quando o realizador decide apelar para a câmara tremida, que é uma praga nas cenas de ação de hoje em dia.

     O guião por acaso podia ser pior. Tem muitos buracos é verdade, mas quanto aos diálogos, ele acerta mais do que erra. Falando nos personagens, há um desenvolvimento bem pobre quando se referindo a alguns personagens.

     Algo que se sobressai é a banda sonora, composta pelo Tom Rowlands, um dos integrantes do duo de eletrónica The Chemical Brothers. É hipnotizante e avisa muito bem a luta que está para vir.

     O Michael Fassbender é o maior atrativo do filme. Ele cria um personagem até banal, mas o arco que o envolvia e o que dizia respeito ao conflito interno do personagem mostram um homem muito humano, é uma construção de personagem muito honesta. E o maior alívio é o seu sotaque irlandês convence e muito bem, principalmente junto do Brendan Gleeson, que é mesmo irlandês.

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     Falando nele, o Brendan Gleeson está excelente e é honestamente a melhor coisa do filme. É um ator ainda muito underrated, um dia que ele tenha a oportunidade de ter um papel principal de peso, é provável que um dia seja considerado um dos atores mais influentes do século. Ele cria um homem ignorante, manipulador e teimoso. É um homem que recebeu a educação errada, com pensamentos ilógicos e absurdos. Agora que ele é o chefe da família, ele finalmente tem mão em tudo e por causa disso, o personagem para além de ficar facilmente temível, fica imprevisível.

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     Saindo desse aspeto, o Adam Smith fez algo muito errado com o ator. Colocou-o numa cena numa igreja lá para o final do filme que não precisava de estar lá, o realizador não percebe o conceito “menos é mais”. Toda essa cena quase acabou e gozou com a essência do personagem.

     E o curioso é que não há absolutamente nada dito sobre a mãe do Chad. Nunca se sabe se ela se foi embora ou se se separou do marido. Absolutamente nada.

     Saindo desses dois personagens, o filme começa a cair bastante. A Lyndsey Marshal interpreta a mulher do Michael Fassbender. A atriz não é má, até tem uma ou duas cenas boas, o problema é que a mulher não dá qualquer empatia, não há desenvolvimento nenhum, ela nunca passa da mulher que dá na cabeça ao marido.

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     Os filhos do Michael Fassbender também me incomodaram. A dada altura parece que ele tem apenas um filho e as suas outras duas filhas desaparecem e aparecem do filme completamente. Bastava meter lá apenas um filho, era até benéfico para a história.

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     Os irmãos dele também são um problema. Primeiro eu nem me lembro de quantos eram. Segundo, eles são todos iguais, todos cospem para o chão, dizem palavrões e seguem ordens.

     Fora aquela ceninha ridícula do ato final que eu já falei, há uma bem específica. Eu pensei se falava ou não nela, mas visto que não é algo com muito peso no filme, eu falo. Há uma cena em que o Chad está a fugir da polícia. Aí há um cão que vai atrás e salta para cima dele. De alguma maneira, ele consegue matar o cão com apenas uma entorse no pescoço, algo que jamais aconteceria quando se lutava com um cão daquele tamanho. É um momento que faz mais rir do que outra coisa qualquer.

     O filme toca em temas de maneira eficiente como família, cooperação, amor e pensamentos de mentes fechadas. São coisas interessantes, mas quando havia uma oportunidade de se fazer algo significativo, o guião ficou pela calada. Felizmente o final é bem arrumado, simples e objetivo.

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     Trespass Against Us tenta ser mais do que aquilo que é e perde as hipóteses que tem quando podia fazer algo maior. Tem algumas cenas que prendem a atenção, mas é derivado, previsível, desinteressante e não é memorável.

 

Nota: C

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