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Vida de um Cinéfilo

Gosto de filmes, e vou falar deles, e muito ...

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Vida de um Cinéfilo

13
Jul17

War for the Planet of the Apes (Planeta dos Macacos: A Guerra, 2017) - Crítica


Francisco Quintas

     Nos dias de hoje, é muito difícil um remake/reboot ser bom. Mais difícil ainda é uma franchise inteira de reboots ser boa. Mais difícil ainda é os filmes de uma franchise de reboots serem progressivamente melhores que o seu antecessor. Ainda há fé no cinema contemporâneo!

   Depois dos acontecimentos significativos do filme anterior, Caesar tenta preservar a paz do povo dos macacos, ainda a habitar escondidos na floresta. Assim que um Coronel sádico aparece para destabilizar tudo aquilo pelo qual o Caesar lutou, este decide iniciar uma jornada para terminar o próximo confronto.

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    Mais uma vez, o filme é realizado pelo Matt Reeves. Agora ele é também co-guionista, o que permitiu que ele tivesse mais um pouco de controlo sobre o material do filme, o que foi uma decisão certa, para além de ser merecedora do talento dele. Ele volta a mostrar que é bom … muito bom! Ele não foge muito do tom do filme anterior. É um filme pesado, envolvente, emocionante, mas também frenético e ágil. Por outro lado, o realizador admite que a “guerra” não está só título. É um blockbuster com uma narrativa de guerra! E que guerra! Se já o Dawn of the Planet of the Apes, de 2014, era significativo e simbolicamente poderoso, então este nem merece palavras para o descrever. Mais do que originar um debate moral na cabeça do espectador, este filme emociona, ele comove e consome o público, quase que o leva para dentro das experiências dos próprios personagens. Mais uma vez, o filme começa com os macacos, o Matt Reeves mostra a “resistência” e a bela comunidade deles, assim como os laços da família do Caesar. Podemos novamente ver o Blue Eyes, a Cornelia e o filho mais novo dele, o Cornelius. Porém, o filme é um pouco mais fúnebre que o anterior, o que não foi definitivamente um problema, mas falaremos disso mais adiante.

    Como já disse, este filme é um blockbuster com uma narrativa de guerra. Para além da discussão moral estar aberta ao público, sem obrigá-lo a aceitar determinada opinião, o filme ainda “denuncia” isso muito bem. O spin-off é uma arte. Há realizadores que sabem fazer spin-off, há outros que simplesmente não. É uma discussão para outro dia. O que fica claro é que o Matt Reeves sabe o que faz. Por exemplo, a introdução do Caesar fica muito clara, o plano utilizado é exatamente o mesmo do filme Paths of Glory, do Kubrick. Aquele tracking shot pela trincheira em que os soldados se afastam para deixar o comandante passar demonstra respeito, admiração e é uma ótima caracterização do Caesar. Desta maneira, o realizador brinda e prepara o público para o filme. Há outros momentos de “homenagem”, mas decidi falar só deste. Descubram vocês os restantes, divirtam-se.

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    As sequências de ação são muito bem editadas, precisas, nada confusas e absolutamente brutais. Tanto “brutal” no sentido de espetáculo visual e de emoção durante as batalhas e os mais pequenos confrontos, como “brutal” no que diz respeito à carnificina e violência do filme. O filme até pode nem ser rated R, mas é sangrento e, por vezes, duro de assistir. E eu assisti em 3D (uma coisa que não fazia há anos), e maior parte do filme, a partir das sequências na neve, merece ser visto em 3D, vale a pena. Aliás, a fotografia deste filme é absolutamente linda, tanto nas cenas na floresta tropical, como na neve, é um elemento que contribui para a ação e especialmente para o frio. Estava muito calor na sala de cinema, mas ao assistir àquela fantástica neve, o clima até parece que ficou amenizado. E a banda sonora, porém mais minimalista, contribui para a grandiosidade que as cenas de ação tanto mereciam, assim como outras cenas de diálogos mais sérios e provocadores.

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    Quanto ao elenco … uau! O Andy Serkis merece finalmente uma nomeação ao Óscar, será uma falta de reconhecimento de talento se isso não acontecer. O personagem Caesar continua a ser aquela figura grandiosa, acolhedora, inteligente, piedosa, porém corajosa e orgulhosa. Ele está ligeiramente mais sombrio desta vez devido à sua revolta interior e ao seu enorme desejo de vingança, mas permanecerá como um dos meus personagens “novos” favoritos do cinema. Por favor, nomeiem este homem!

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    Eu já gostava muito do Woody Harrelson como ator dramático e cómico, mas ele surpreendeu-me muito! Que ator sensacional! Que performance espetacular. Por favor, nomeiem-no também! O Coronel é um autêntico bárbaro, é um dos personagens mais violentos que já vi, chegou-me até a lembrar o Amon Göth, do Schindler's List. E quando digo “violento” não digo “impiedoso”, não digo “brutalmente cruel”. A sua violência resume-se na sua indiferença e insensibilidade perante a vida, no seu desprezo não só pelos macacos, mas também pela raça humana. Eu esperava um antagonista igual ao Gary Oldman, do último filme, um vilão que queria destruir os macacos para satisfazer uma vontade pessoal e para “salvar a Humanidade”, dizia ele. O Coronel move-se devido a algo mais pequeno, mas certamente inesperado e sádico, é um personagem absolutamente temível e odiável.

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    A Karin Konoval continua excelente a interpretar o Maurice. O personagem é novamente o coração do filme, é o macaco mais emotivo e mais pacífico, assim como o mais compreensivo. É um personagem muito amigável e relacionável.

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    Eu gostei muito do Steve Zahn. O personagem dele é muito engraçado e era minimamente necessário, um filme tão triste, revoltante e pesado como este precisava de momentos de leveza e do humor mais simples. E ele tem aqueles olhos adoráveis, mesmo sendo um personagem que passou por muitos males.

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   Outra grande surpresa foi a Amiah Miller. Ela está fantástica aqui, ela é muito expressiva e emocionalmente reservada, é uma performance que passa muito sentimento, sem deixar isso óbvio ou afetado. Ela é principalmente o elemento mais puro da Humanidade, é basicamente uma personificação da inocência. Não deve ter sido nada fácil para a atriz, especialmente por ser muito nova e por este ser o seu primeiro grande blockbuster. No seu currículo apenas está o filme Lights Out, de 2016.

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    Mais uma vez, o comentário sobre a Humanidade é fortíssimo e simbólico, desta maneira, o filme pôde comentar sobre temas como aprisionamento, sacrifício, trabalho forçado, escravidão e traição. O filme quer que o público acompanhe os macacos e não os humanos, até porque, desta vez, fora a Amiah Miller, não há humanos bons. O Matt Reeves não quer que o público fique dividido, até porque seria estranho se ficasse, visto que ele caracteriza o ser humano como uma máquina manipuladora e facilmente manipulável, um comentário que um drama de guerra certamente faria. Oh Yeah!

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    War for the Planet of the Apes é o melhor filme desta franchise de reboots. As 2 horas e 20 passaram a correr! É um filme filosófico, violento, emocionante, importante e, quem diria … irretocável!

 

Nota: A+

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