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Vida de um Cinéfilo

Gosto de filmes, e vou falar deles, e muito ...

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Vida de um Cinéfilo

07
Out17

Wonder Woman (Mulher-Maravilha, 2017) - Crítica


Francisco Quintas

     É muito importante que as mulheres continuem a ganhar protagonismo no cinema. A verdade é que a indústria de Hollywood ainda é machista e tem alguns complexos por resolver. Obrigado Patty Jenkins por nos dares o melhor filme do DCEU (até agora) e pela encantadora dose de girl power!

     Durante a 1ª Guerra Mundial, Diana, princesa das Amazonas, dá de caras com um piloto americano e descobre os conflitos que decorrem no mundo. Depois de tantos anos a treinar para ser a melhor guerreira do seu povo, ela agarra a oportunidade de salvar o mundo.

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  O filme foi realizado pela Patty Jenkins, responsável pelo ótimo filme Monster, de 2003, que deu o Óscar à Charlize Theron. Um dos medos acerca de um realizador aceitar um projeto sobre uma personagem das comics é sempre a sua inexperiência. Em maior parte das vezes, o resultado final é bom, o Christopher Nolan e o Bryan Singer eram ambos “novatos” na área antes de realizarem os excelentes Batman Begins e X-Men, respetivamente. Noutros casos, como Catwoman e Elektra, a inexperiência dos realizadores fez com que as obras fossem autênticos fracassos. Finalmente depois de tantos maus filmes de super-heróis, temos um bom com uma mulher como protagonista.

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     Dito isto, a Patty Jenkins fez um ótimo trabalho. A começar pela criação do mundo fictício. O deslumbramento e a ansiedade da pequena Diana passam para o público instantaneamente e este fica facilmente sensibilizado pela sua inocência e pela beleza que aquela ilha demonstra. Todos os cantos da civilização são criados com uma enorme atenção aos detalhes e todas aquelas mulheres convencem como um exército e como um povo unido.

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     A Patty Jenkins é também ótima a orquestrar a mais suave beleza e câmara lenta nas suas cenas de ação. Estas incluem um ótimo CGI, uma excelente e impercetível coreografia, uma recriação impecável das trincheiras e, claro, um bom trabalho de duplos, algo que nunca deixou de ser essencial.

     A fotografia é outro destaque. Há composições horizontais lindíssimas, mas também visualmente significativas. No primeiro ato, a ilha exibe uma vivacidade e harmonia invejável onde tudo é altamente colorido, dando aquela sensação de paraíso. Depois, o filme segue para uma Europa poluída, triste e consumida pela desgraça e estragos da guerra.

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     Os diálogos são surpreendentemente melhores do que aqueles escritos pelo Zack Snyder. Há apropriadamente mais controlo e realismo. Desta vez, o universo não se tornou mais sombrio gratuitamente. Pôde ser feito um ótimo comentário sobre o comportamento imoral da Humanidade durante uma guerra. No entanto, no ultimo ato, houve um enorme excesso de exposição que podia ter sido substituído por uma montagem mais dinâmica. Quem viu vai perceber do que falo.

     A Gal Gadot conseguiu limpar a sua imagem depois da participação foleira em Batman v Superman. Fisicamente, ela foi uma escolha perfeita para interpretar a Mulher-Maravilha. A atriz tem muita energia e presença nas cenas de ação e é uma mulher linda. Ela tem os seus bons momentos quando não está em “modo super-herói”, mas tem outros lamentáveis. No geral, ela tem muito a evoluir como atriz. Por vezes, há algumas mudanças de expressão e de emoção muito abruptas que estragam a interpretação, principalmente quando contracena com a Connie Nielsen ou com o Chris Pine.

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     Falando nele, o Chris Pine foi a peça do elenco que eu mais gostei. Com Hell or High Water, o ator já provou que consegue assumir papeis mais dramáticos e exigentes. O personagem é um ótimo retrato do homem em conflito que combate numa guerra que não compreende, cujo poder é limitado contra a sua vontade.

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     A dupla Robin Wright e Connie Nielsen é a principal razão pela qual a performance da Gal Gadot por vezes cai. A presença das duas é muito mais intensa e convidativa que a da protagonista, desta maneira, as atrizes mostram que estão bem como sempre.

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     A Lucy Davis, mesmo com poucas cenas, revela um charme tipicamente inglês muito agradável. Para além disso, é responsável pelo humor da tentativa de adaptação da Diana no mundo moderno.

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     Alguns críticos não gostaram do trio Saïd Taghmaoui, Ewen Bremmer e Eugene Brave Rock. Verdade é que estes foram essenciais para o filme não se ter tornado azedo demais. Cada um tem a sua personalidade, conflito e origem, o que torna o retrato da guerra mais realista.

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     Já o Danny Huston deixou muito a desejar. Eu percebo o que queriam fazer com ele, mas o personagem não passou de um Red Skull falhado e sem carisma.

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     A banda sonora é algo de espetacular. É uma das melhores composições originais para um filme de super-heróis. O Rupert Gregson-Williams sabia o que estava a fazer. São as várias sensações transmitidas: insegurança, coragem, inspiração, aventura e até nostalgia.

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     Wonder Woman é um passo no caminho certo que a DC deve tomar, assim como uma lição de como adaptar material das comics para o cinema. Não é o melhor filme de super-heróis do ano, mas é um que funciona tão bem como um blockbuster e como um retrato de guerra.

 

Nota: B+

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