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Vida de um Cinéfilo

Vida de um Cinéfilo

14.Mai.19

Last Flag Flying – por uma sincera gargalhada

Francisco Quintas
Assombrados funebremente por tanta miséria expressa na forma de derribadas gravatas negras, mãos levemente acariciadas e partilhadas, infinitas e pesadas lágrimas, ensopados lenços de papel e lutuosas lamúrias, os casais choram ao observar a chegada dos caixões dos filhos a um desalentado e cinzento aeroporto militar em Dezembro de 2003, após uma violência sem requisição os ter caçado e impedido de rever o acolhedor e caloroso lar, na esperança de encontrar novamente a família (...)
07.Mai.19

Menina – inquietado reconforto

Francisco Quintas
O inconfundível chamamento maternal do outro lado da estrada não ilumina os olhos da pequena Luísa Palmeira da maneira como esta gostaria, da maneira como esta observa as mães das colegas, cidadãs francesas na sua íntegra, acolhidas pelos braços bem-dispostos e carinhosos de uma mulher abrigada com elegantes e sedosas peças de vestuário, a recolher as suas descendentes depois de um cansativo dia de trabalho, fornecido por uma sociedade europeia “mais à frente”, sempre (...)
22.Mar.19

Acendalha Datilográfica #4 – Call Me by Your Name

Francisco Quintas
Muitas são as críticas que preferia atirar para a lareira. Não digo que a respetiva da quarta edição da Acendalha Datilográfica seja necessariamente uma atrocidade, mas meramente merecedora de diversos retoques avaliativos e/ou criteriosos. Mas, enfim, há tanta coisa para escrever. Nomeadamente, hoje. A questão é, mesmo nos seus momentos mais silenciosos, introspetivos ou flexivamente interpretativos, quão menos profunda seria a autenticidade de uma das obras máximas de Luca (...)
15.Fev.19

As evidências de um marketing excessivo

Francisco Quintas
A Internet veio disponibilizar uma nova (e complexamente diversificada) forma de publicitar seja o que for. Qualquer distribuidora pode lançar os seus trailers, canais de YouTube vivem à custa da propaganda desses mesmos, sites mantém-se rentáveis graças às notícias provenientes das proporcionadas novidades e milhões de espectadores se podem deliciar (ou não) quando veem alguns segundos (de preferência não comprometedores) dos filmes, séries ou até músicas que mais esperam (...)
07.Fev.19

Stranger Things S2 – a nostalgia avançou

Francisco Quintas
A sociedade consegue ser macaca. Em 2017, reparei que toda a gente assistia a um drama lavado com temas cruciais como suicídio adolescente. “13 Reasons Why” era o nome. Uns adoravam, enquanto eu preferia manter a minha decência cultural e encarar aquilo exatamente como deveria ter sido em primeiro lugar: um melodrama desmerecedor. Antes de descarregar a minha vontade em iniciar longas sessões domingueiras de binge-watching (que eventualmente ocorreu com “Breaking Bad”), ouvia (...)
25.Jan.19

Óscares - a perda de credibilidade

Francisco Quintas
Em 2014, assisti pela primeira vez à cerimónia dos máximos prémios da Sétima Arte. A alegre e sarcástica Ellen DeGeneres foi a escolhida para liderar o evento e marcou a sua presença pela segunda vez, depois de segurar a noite de 2007. Ficou difícil não me afeiçoar ligeiramente àquela atmosfera. Porque é que desgostaria do que estava a ver? Tinha uma apresentadora minimamente audaciosa a largar pequenas provocações à plateia cheia de estrelas consagradas e seleções de (...)
17.Jan.19

Queres ser ator? Mas para quê?

Francisco Quintas
Vivemos numa altura fascinante da indústria audiovisual. Se há quarenta anos apenas um Ridley Scott ou um Woody Allen podiam comandar as suas produções hollywoodianas e fazer filmes com extrema frequência, beneficiados, lá está, pela falta de concorrência, hoje, já que temos todo o equipamento à venda ali ao lado e um mundo digital à distância de um clique onde nos é permitido disponibilizar os nossos trabalhos, vivemos na melhor altura para quem quer ser um guionista ou (...)
20.Fev.18

The Shape of Water (A Forma da Água, 2017) - Crítica

Francisco Quintas
   Durante a Guerra Fria, Elisa, uma funcionária muda recém-chegada a um centro de investigação americano, face a novas descobertas e perigos, desenvolve uma afetuosa relação com uma criatura anfibiana humanoide, disputada entre a América e a União Soviética.      O filme foi escrito e realizado pelo mexicano Guillermo del Toro, uma mente extremamente imaginativa que opta mais uma vez por desenvolver personagens e um conflito dentro do seu mundinho pessoal de monstros (...)
04.Fev.18

Phantom Thread (Linha Fantasma, 2017) - Crítica

Francisco Quintas
     Por falar em Daniel Day-Lewis, vamos falar sobre um dos mais elegantes filmes do ano e a sua oferta de despedida! Na década de 50, em Londres, Reynolds Woodcock, um costureiro de renome fundador de uma firma de vestidos direcionada à nobreza, vê a sua vida descarrilhada depois de se relacionar profissional e pessoalmente com uma jovem modelo.      O filme foi escrito e realizado pelo Paul Thomas Anderson, um dos homens em atividade que exerce a sua profissão de maneira mais (...)
03.Fev.18

Darkest Hour (A Hora Mais Negra, 2017) - Crítica

Francisco Quintas
     O filme começa em Maio de 1940, na Inglaterra, e segue os esforços desesperados do recente primeiro-ministro Winston Churchill que, depois da sua inesperada e indesejada eleição, mede forças com os membros do Parlamento Inglês, com a Alemanha e com ele próprio.    O filme foi realizado pelo inglês Joe Wright, responsável por Pride & Prejudice e Atonement. Ao contrário de muitas biopics que aparecem nestas awards seasons, o mais recente filme do realizador é um dos (...)