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Vida de um Cinéfilo

Vida de um Cinéfilo

17.Abr.19

Snu – uma vontade de ajudar a mudança

Francisco Quintas
Quando me coloco a imaginar nas possíveis merecidas adaptações cinematográficas das histórias de figuras portuguesas, a resposta que recebo é geralmente a mesma: “É preciso que haja público para isso…”. Pois bem, certamente que um filme sobre o mais carismático rosto da política nacional seja um atraidor de números, sobretudo para as envelhecidas diferentes faixas etárias que pesadamente compõe este país, acima, claro, às reduzidas taxas de natalidade que, por sinal, (...)
16.Abr.19

Us - nas carcomidas sandálias do outro

Francisco Quintas
Em menos de 30 segundos de conversa, foi num inopinado aceno que, encurralado pela pergunta mais vazia possível, respondeu comprometidamente: “Nós vivemos num tempo em que, enquanto uma cultura, tememos o outro, seja este um misterioso invasor que pensamos que nos virá matar e apoderar-se dos nossos empregos ou uma fação da qual não vivemos perto, que votaram de maneira diferente de nós. Só apontamos o dedo. E eu quis sugerir que talvez o monstro para o qual precisamos mesmo de (...)
11.Abr.19

Green Book – inspirado e consciente

Francisco Quintas
Os Estados Unidos são um país de extremos. Tanto uma personalidade como uma obra do entretenimento podem ser elevados aos céus ou condescendentemente desconsiderados, escarnecidos e desprezados. Surja a mais levemente fundamentada possibilidade de exclusão de um determinado elemento do particularmente tóxico meio da celebridade e do seu produto, o país de Donald Trump tem-se vindo a revelar um dos menos aliciantes palcos para os cineastas, guionistas e atores, seja para o bem ou para (...)
14.Mar.19

Captain Marvel – a tarefa foi cumprida

Francisco Quintas
Por razões que ainda não consegui conceber, a comunidade dita cinéfila continua a não saber propriamente conversar sobre cinema. Podíamos gastar os nossos efémeros minutos a discutir eternamente matérias como a extensidade do arco do Michael Corleone, a genuína natureza da mente do Alex DeLarge, as infinitas interpretações das origens do sinistro quadro do Hotel Overlook ou o alienante e fantástico paralelo de Riggan Thompson com o Ícaro. Ao invés, encontramo-nos atrás de um (...)
28.Fev.19

Godzilla – uma reles dimensão

Francisco Quintas
Os paraquedistas saltam. Lá em baixo, decorre um dos mais horrendos cenários de destruição imagináveis. Criaturas incompreensivelmente monstruosas confrontam-se em São Francisco, dizimando as pequenas amostras da obra civilizacional evidentes das nossas pegadas, como autênticas crianças a quebrar legos. Mais do que qualquer dever patriota, os militares conservam uma vontade de fugir para casa. Agarram-se à missão, no entanto, procurando um veloz refúgio para voltarem as ver os (...)
22.Fev.19

The Sisters Brothers – western à francesa

Francisco Quintas
A morte iminente do clássico faroeste americano é um fenómeno cada vez mais consolidado. É preciso que os pais do cinema venham salvar isto tudo. “The Sisters Brothers” não só é um título curioso, mas também o projeto que (como outros tantos) ressuscita minimamente a esperança de o género cinematográfico dos cowboys voltar a conquistar públicos. No passado LEFFEST, Jacques Audiard falou sobre o jantar que teve com Joel Coen, um dos autores responsáveis pela sobrevivência dos westerns
21.Fev.19

Vice – águia na retaguarda

Francisco Quintas
Em 2015, mesmo que a sua credibilidade de contador de dramas com leves lufadas de ironia e humor seco não fosse totalmente ignorada, Adam McKay aventurou-se numa ligeira aula de economia, rebaixando a sua própria seriedade com participações desnecessárias de personalidades do meio do entretenimento e com um particular trabalho de câmara pseudo-documental com uma lista de toques a aperfeiçoar. Todavia, ao contrário do que é costume rotular, criadores da indústria audiovisual (...)
14.Fev.19

The Favourite - uma maravilhosa tempestade

Francisco Quintas
A natureza fora da caixa de alguma obra de arte é demonstrativa não só da eventual (boa ou má) vontade do público, mas também um eficiente catalisador da sua paciência. Se as pessoas se entediaram assim tanto com “The Lobster” ou com “The Killing of a Sacred Deer”, Yorgos Lanthimos oferece uma história mais ajustável ao cenário americano ou inglês, porém com o cuidado visual e tecnicamente autoral que o definem como um dos mais criativos criadores do cinema contemporâneo. Suge (...)
31.Jan.19

Matchstick Men – obrigado por me roubares

Francisco Quintas
O logotipo da Warner Bros. Pictures surge lentamente à frente de uma limpa plataforma de água. Nicolas Cage faz a contagem decrescente e, ao som de ‘The Good Life’, do americano Bobby Darin, os créditos iniciais começam a sobrevoar o ecrã, surgindo à frente de uma distante e calorosa Los Angeles e de volta à reluzente piscina do protagonista. Conhecemos a carpete obsessivamente bem nivelada, o guarda-roupa revestido a sacos de plástico, um quintal, uma piscina e uma (...)
11.Jan.19

Vox Lux – excessividade alegórica ululante

Francisco Quintas
Chega-nos um filme bastante autoral e provindo de territórios característicos de uma estranheza semelhante à do Yorgos Lanthimos e uma mestria visual inspirada no trabalho do Stanley Kubrick. Definitivamente não para toda a gente. Mas bom? A segunda longa-metragem realizada pelo ator americano Brady Corbet acompanha a transição da juventude para a vida adulta de uma adolescente que, após vítima de um ato de extrema violência, inicia uma carreira musical que a eleva ao estatuo de