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Vida de um Cinéfilo

Vida de um Cinéfilo

21.Mai.19

Complete Savages S1 – com pouquíssimo para ensinar e tanto para aprender

Francisco Quintas
No meio da aurirrosada proclamação de bacoradas machistas, sentados numa mesa circular intencionalmente destinada a esplanadas para familiares piqueniques americanos, os Savage digerem alarvemente os baldes de amanteigadas e gordurosas asas e coxas de frango frito. No meio de descorteses e hilariantes grunhidos, os filhos, despreocupadamente a partilhar com o animal de estimação os assentos do diurno jantar, lançam a bomba “Então, encontraste uma empregada?”, esperando respostas (...)
23.Abr.19

The Sopranos S1 – revestido a penumbra

Francisco Quintas
Manuseando o negro volante ao serviço de um etariamente estimado automóvel, composto por uns possantes membros superiores, imponente e despreocupado duplo queixo e toucado descabelado, aduzido por fios e colares de ouro igualmente requintados e sujos e uma grossa névoa de fumo parida por um possivelmente ilegal charuto de coleção, a expressão do trono de um poderoso patriarca contemporâneo resume a personalidade de Tony Soprano, afixado na estabelecida e disputada supremacia (...)
07.Fev.19

Stranger Things S2 – a nostalgia avançou

Francisco Quintas
A sociedade consegue ser macaca. Em 2017, reparei que toda a gente assistia a um drama lavado com temas cruciais como suicídio adolescente. “13 Reasons Why” era o nome. Uns adoravam, enquanto eu preferia manter a minha decência cultural e encarar aquilo exatamente como deveria ter sido em primeiro lugar: um melodrama desmerecedor. Antes de descarregar a minha vontade em iniciar longas sessões domingueiras de binge-watching (que eventualmente ocorreu com “Breaking Bad”), ouvia (...)
24.Jan.19

Stranger Things S1 – requisitar o irresistível supérfluo

Francisco Quintas
No meio da oferta televisiva e cinematográfica de uma incontrolável escala que temos recebido nos últimos anos, para além de produzir ou assistir a conteúdo inteiramente visionário ou original, fica difícil para os espectadores se decidirem entre aquilo que escolhem para sessões de binge-watching. Sem grandes rodeios hoje, aquilo que apenas pretendo constatar é: todos nós gostamos de voltar à nossa infância. Quem é que pediu as sequelas dos filmes da Pixar? Quem é queria (...)
16.Dez.18

Idiotas, ponto. T1 – risonho rumo ao ridículo

Francisco Quintas
A permanência de qualidade (temática ou técnica) dos conteúdos cómicos (cinematográficos ou televisivos) portugueses é um dos aspetos mais difíceis de manter no nosso progresso audiovisual. Nos recentes anos, tem sido quase impossível não vermos comédias desastrosas. Desde um “Balas & Bolinhos”, passando por “13 Pecados Rurais” e “Mau Mau Maria”, até chegar a um “O Pátio das Cantigas” ou aos deprimentes trailers de “Tiro e Queda”, a comédia mais mainstream
19.Nov.18

Sara T1 - a monumental e definitiva sátira televisiva portuguesa

Francisco Quintas
Depois de brindar a Europa com “São Jorge”, Marco Martins trabalha pela primeira vez na televisão… E foi assim que nasceu “Sara”, a melhor série de 2018. Sara Moreno, uma atriz recém-quarentona conhecida pelos papéis em filmes de autor e pela particular capacidade de chorar vê-se num descarrilamento profissional e emocional quando perde precisamente a sua maior arma dramática. Na tentativa de se manter em atividade, aceita protagonizar uma novela e inserir-se nas mais (...)
14.Nov.18

Lodge 49 S1 – epicurismo contemporâneo

Francisco Quintas
O AMC já se provou capaz de desenvolver excelentes séries. Curiosamente, a maioria delas apenas atingiu a fama global depois de 1 ou 2 temporadas do mínimo reconhecimento. O progresso pode ser definitivo. “Lodge 49” pode ainda ter muita coisa para contar. Jim Gavin será certamente um nome que não cairá no esquecimento. O criador da nova série original do AMC é um completo desconhecido e embarcou (suponhamos) no seu projeto mais ambicioso. Guardadas as devidas proporções, (...)
16.Out.18

Sorry for Your Loss S1 – o Facebook sabe fazer séries

Francisco Quintas
Fui, juntamente com metade do Mundo, uma das pessoas que torceu o nariz quando, em 2017, foi lançado o Facebook Watch – a plataforma da rede social de Mark Zuckerberg dedicada à produção de conteúdo televisivo original. Um total superior a 1 bilião de dólares foi o investimento, cujo 55% do lucro da publicidade seria para os criadores e os restantes 45% para a empresa. Não sendo nada disto relevante, a principal questão é: “A série é boa?”. “Sorry for Your Loss”
06.Set.18

Fahrenheit 451 - um retrato distópico do conservadorismo

Francisco Quintas
Geralmente, os filmes para televisão americanos costumam ser medianos ou medíocres. No entanto, mesmo com a oferta de “The Wizard of Lies”, uma péssima biografia de 2017 sobre o Bernard Madoff que nem o Robert De Niro conseguiu salvar, a HBO já provou que consegue produzir bons conteúdos. Vejamos “All the Way”, a biografia sobre o Lyndon Johnson de 2016 com o Bryan Cranston. Em que categoria será que “Fahrenheit 451” se insere? Baseado no livro homónimo do americano Ray (...)
02.Set.18

Deep State S1 - politicamente relevante, narrativamente esquecível

Francisco Quintas
Há séries que imprimem parte da linguagem cinematográfica. São muitas outras entregues aos “fazendeiros” e que se tornam dececionantes, apesar do potencial. “Deep State” é umas das mais recentes séries da Fox. Trata-se de uma criação dos ingleses Simon Maxwell e Matthew Parkhill, que, em conjunto com Steve Thompson (“Sherlock”, “Doctor Who”), escreveram a maior parte dos episódios. O primeiro produziu as séries “Off the Hook” e “Odisseia de Risco”